A cassação do governador José Melo abriu um debate nas redes sociais sobre sua suposta incapacidade de tomar decisões, sem que se atente para o que foi realizado nestes dois anos de governo. Melo acertou ao reduzir o tamanho da máquina pública e pagou o preço (da impopularidade) ao promover demissões. A cassação veio em um momento no qual o Amazonas colhia os frutos das adequações feitas para evitar o agravamento de uma crise que levou estados como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul a uma situação de insolvência.
Não cabe discutir aqui o mérito da decisão do TSE, mas é preciso deter o processo de descontrução (nas redes sociais) da imagem de um homem simples, honesto, que deu sua parcela de contribuição ao Estado do Amazonas. Cometeu erros, sim, e o maior deles foi permitir que um irmão participasse da campanha eleitoral e (depois) do governo.
Melo não merecia ser retirado assim. Mas aconteceu, da forma mais inesperada. Como tem que sair, que saia de cabeça erguida, ignorando os ressentidos que surgem de todos os lados e gritam impropérios de forma impiedosa.
VITRINE PARA 2018
A cassação do mandato do governador José Melo, decidida ontem pelo TSE, abre uma vitrine enorme para os nomes que tem pretensão de disputar o governo em 2018. Mas esta não é uma eleição para amadores. A continuidade de um madato exige qualificação técnica, vivência administrativa de seus postulantes.
Serafim Correa, Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Alfredo Nascimento fazem parte desse seleto grupo...
A SAÍDA
A defesa do governador José Melo ainda teria uma alternativa de embargo de declaração para mantê-lo no cargo. Seria uma possibilidade para ele ‘alavancar’ um sucessor na disputa pelo cargo que acaba de perder.
@@@
Mas essa alternativa está difícil, pois ontem mesmo o TSE comunicou oficialmente ao TRE a cassação do governador, fato que ‘dispara’ o gatilho para a contagem do prazo para a nova eleição.
DAVID COMUNICADO
O presidente da Assembleia, David Almeida deverá ser comunicado hoje pelo TRE da sucessão interina no cargo de governador. A minirreforma eleitoral de outubro de 2015 prevê a realização de nova eleição no prazo de 60 dias após as cassação do mandato.
OPORTUNISMO DO PT
Na onda do oportunismo que sempre caracterizou a sigla, o PT já se assanha para lançar candidatura ao governo neste fim de semana, quando o congresso estadual do partido vai eleger o novo presidente estadual da sigla. A volta de Praciano, depois de um longo período de doença, pode ser a ‘aposta’ petista para este 2017.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso