As hostilidades aos ministros do Supremo Tribunal Federal se intensificaram nas últimas semanas. O que não é recomendável, no entanto, é que ministros se deixem levar por provocações e esbarrem em regras de conduta próprias da magistratura.
O ministro Luiz Roberto Barroso, ao responder com o chavão “ perdeu, mané,não amola" , a um bolsonarista que o incomodava, pedindo que ele revelasse o código fonte das urnas eletrônicas, passou a péssima impressão de que tinha lado ou preferência política. O que se sabe não ser verdade. Mas impressões ficam. Conhecendo a conduta serena de Barroso, surpreendeu seu comportamento.
É fato que o Judiciário fez o seu trabalho e sustentou o processo eleitoral, que foi concluído com lisura. Assim, as insatisfações não podem ser atribuídas a falhas da Justiça com as urnas, mas a incompetência de Bolsonaro e a forma como dividiu a sociedade brasileira nos últimos quatro anos. Ocorre que, na medida em que ministros do STF ou do TSE entram nas provocações feitas sob medida para desestabilizá-los emocionalmente, eles abrem espaço a um discurso de parcialidade que é recorrente entre bolsonaristas.
O que está em jogo, entre outras coisas, é a imagem do Supremo, que não pode sofrer desgastes por causa da impaciência de um seus membros com provocações.
Agora, mais do que nunca, o tribunal precisa tomar decisões coletivas, evitando expor isoladamente um ou outro ministro. É necessário evitar exposição desnecessária, como se deslocar em equipe para eventos fora do país. Alguém está pagando essa conta e esse alguém é o contribuinte brasileiro.
Espera-se do STF exemplos. Bons exemplos. O mais é torcer para que esse fogo das ruas se apague e tudo volte à normalidade, sem atropelos e sem gestos autocráticos ou juristocráticos que, sob o pretexto de proteger a democracia, desmontam a confiança dos brasileiros na politica e no judiciário.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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