Enquanto o senador pelo Mato Grosso, Blairo Maggi (PR) fez a defesa da Zona Franca e votou pela manutenção dos 12% de ICMS interestadual na CAE do Senado, o senador paraense Flexa Ribeiro (PSDB) votou pela alíquota de 7% e 4%. Disse que o Pará deveria ter 12%. Com a grande diferença de que seu estado explora minerais, tem litoral e está ligado ao Brasil por rodovia, enquanto o Amazonas é uma ilha, isolada do resto do país. Flexa esqueceu seus irmãos paraenses que migraram para Manaus e que, sem as vantagens comparativas da ZF, poderão perder seus empregos.
VERDADES QUE DOEM
Mas ontem foi o dia de ouvir o que não se queria. Eduardo Suplicy, aquele senador que, mesmo sendo do PT paulista mantém a coerência e tem sido uma voz importante no Congresso brasileiro, disse que “há clara dependência da Zona Franca de Manaus na concessão de incentivos fiscais", e que "manter a alíquota em 12% não mudará essa dependência e poderá até reforçá-la”. Disse mais: "a região tem pouca integração com o resto da economia brasileira e possui baixo volume de exportação". Há alguma verdade no discurso de Suplicy e, por mais que encontremos respostas para algumas perguntas, é constrangedor admitir que avançamos pouco nos últimos 40 anos...
APESAR DE TUDO, UM ROUND VENCIDO
O Amazonas passou ontem no primeiro teste, mas não ganhou a batalha pelo ICMS diferenciado. Quando a matéria for ao plenário do Senado se somarão interesses de Estados que, naturalmente, olham para o próprio umbigo e pouco importa a tese de que a Zona Franca de Manaus, com suas vantagens comparativas, ajuda a preservar a floresta, a biodiversidade ou alimenta o discurso doméstico de neo ambientalistas.
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Seja qual for o resultado final dessa batalha, vai ficar o exemplo de unidade politica em torno de uma causa. Foi bom ver do mesmo lado e com as mesmas ideias o governador Omar Aziz, o prefeito Artur Neto, os senadores Eduardo Braga, Vanessa Grazziotin, Alfredo Nascimento, o secretário Pauderney Avelino e os deputados federais. Mas do que unidos, eles atuaram nos bastidores para convencer senadores a votar com o Amazonas.
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Numa comissão como a de Assuntos Econômicos do Senado, essa ja foi uma tarefa difícil. Convencer a metade mais um dos 81 senadores, vai exigir um grande esforço. O resultado é imprevisível.
Discurso bélico
Enquanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) destilou veneno e seu secretário de Fazenda disse que os 12% foi um “jabuti” colocado no texto da resolução do Senado para favorecer a ZFM, além de ameaçar com secessão, o tucano Artur Neto não deixou barato: “Eles são predadores e predador não para de comer nunca.”
VIROSE ATACA BELÃO
A União de Parlamentares Sul-Americanos e do Mercosul (UPM) reconduziu o deputado Belarmino Lins (PMDB), primeiro vice-presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, ao cargo de presidente do Conselho Fiscal da entidade. Acometido de virose, Belão lamenta não poder participar da solenidade de amanhã, quarta-feira (08/05), na cidade de Córdoba, na Argentina, que vai referendar decisão da assembleia geral da UPM ocorrida no dia 7 de março em Buenos Aires.
Jac quer cartão corporativo
A vereadora professora Jacqueline defendeu ontem a implantação de cartão corporativo para os diretores de escola por entender que alguns problemas podem ser resolvidos sem que o gestor tenha que esperar pela ação da Secretaria Municipal de Educação (Semed). O ex-prefeito Serafim Corrêa até que tentou implantar medida semelhante mas não prosperou.
Pegou mal
Não pegou nada bem o gesto da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas que ontem ignorou a agenda do Estado em Brasília por conta da votação do relatório da PR 001/2013 que tratou da unificação da alíquota do ICMS. Nenhum deputado estadual discursou sobre o assunto ou relembrou a questão no plenário, diferentemente do que ocorreu na Câmara Municipal de Manaus onde o assunto foi a tônica de quase todos os pronunciamentos e os vereadores acompanharam a todo instante pela internet o resultado da votação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE).
Sacramentado
Ao promover um sorteio entre os vereadores que não haviam sido indicados pelos partidos ou blocos para compor a Comissão de Revisão do Plano Diretor de Manaus, o presidente da CMM Bosco Saraiva (PSDB) convidou o vereador peso pesado Waldemir José (PT) para tirar o nome do sortudo que teria direito a 13ª e última vaga da Comissão, mas para o desgosto do vereador Isaac Tayah (PSD) que tanto almejava participar do grupo, Waldemir tirou o nome do vereador Marcelo Serafim (PSB).
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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