O inferno está se abrindo para o deputado Silas Câmara. Na próxima semana o Supremo Tribunal Federal conclui o julgamento da ação penal 864, na qual ele é acusado de se apropriar de parte dos salários dos servidores de seu gabinete. O voto do ministro Luiz Roberto Barroso, pela condenação do parlamentar - 5 anos de prisão em regime semiaberto - não era o que o deputado esperava. Afinal, a forte pressão da bancada evangélica sobre o ministro resultou inócua.
Barroso foi duro no seu relatório, ao afirmar que Silas “ montou um esquema criminoso de desvio de dinheiro público, utilizando-se de pessoas simples, com pouca instrução, que acabavam ficando com quantias irrisórias ao fim de cada mês, ao serem utilizadas como “laranjas”.
Acusação pesada para um parlamentar que representa 180 mil eleitores amazonenses e é membro de uma igreja que busca manter um discurso de moralidade e de respeito à coisa pública, o que seu pastor não segue.
A condenação de Silas, se ocorrer, respinga na Assembleia de Deus, já envolvida em escândalo protagonizado por ele em 2009, quando foi acusado de usar um convênio firmado pela igreja com o governo do Amazonas para obter votos de alunos matriculados nos cursos de artesanato, reforço e alfabetização.
O que não se compreende é por que o Supremo, mesmo recebendo a denúncia em dezembro de 2009, levou tanto tempo para julgar um caso aparentemente simples: 13 anos. Somente neste intervalo de tempo, Silas conquistou três mandatos, somando a outros dois está há 20 anos na Câmara dos Deputados e agora deve cumprir mais um, até 2026.
Se Jesus não der um jeito, como Silas espera, ele ainda gozará (se confirmada a condenação pelo Pleno do STF) de um privilégio: ao contrário dos ‘cidadãos normais’, acusados e condenados por cometerem crimes correlatos, o deputado deverá ser poupado do uso de tornozeleira eletrônica…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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