A ‘pane’ no sistema de computadores do Tribunal de Contas do Amazonas pode ter sido uma forma de apagar digitais de gestores que delinquiram nos últimos anos.
O tribunal ainda não assumiu que houve uma conspiração interna e isso dificulta identificar se há servidores envolvidos. Pior, mantém uma nota no próprio site desmentindo a invasão.
A nota é de 19 de setembro e nela a presidente em exercício, Yara Lins, marca data para o sistema voltar a funcionar: uma semana. O prazo expirou e o TCE, apesar dos esforços da Prodam e de técnicos paulistas, não conseguiu recuperar os processos eletrônicos de 2015.
Como não existe o processo físico, há mais do que dados perdidos. Há provas apagadas contra muitos prefeitos, secretários e diretores de órgãos públicos. E há um prejuízo à sociedade difícil de ser mensurado, porque recursos utilizados indevidamente deixarão de ser restituídos.
O TCE deve uma explicado desse caso à sociedade. E precisa ser transparente, dizer o que vem fazendo para elucidar o caso e o que afinal foi recuperado para evitar especulações sobre o tamanho do prejuízo.
LOCAL DA POSSE INCERTO
A posse de Amazonino no centro de convenções Vasco Vasques, não está garantida. O requerimento de Dermilson Chagas subscrito por vários deputados, foi despachado pelo presidente da sessão Belarmino Lins para decisão da Mesa Diretora.
Isto porque Dermilson e os assinantes ‘descuidaram’ de exigir a aprovação do mesmo pelo plenário. Agora fica nas mãos de Abdala Fraxe, que luta para impedir a posse.
ZFM NA BERLINDA
O governador eleito Amazonino Mendes recomendou o voto contrário do Amazonas, no Confaz, à homologação da Lei que convalida os incentivos fiscais estaduais ilegais.
Esses incentivos setoriais, que prejudicam a indústria do Amazonas, foram concedidos à revelia do Confaz e da Constituição e agora são graciosamente convalidados pelo governo Temer.
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Se homologada hoje pelo Confaz, a Lei vai potencializar legalmente a ‘guerra fiscal’ entre os Estados e regiões do país, podendo causar o desmonte do modelo Zona Franca.
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O voto contrário do Amazonas ‘tranca’ essa porta, já que o Confaz exige unanimidade dos Estados para convalidar a Lei, que, inclusive, também acaba com essa unanimidade.
BRONCA DE R$ 220 MILHÕES
De acordo com o deputado Sidney Leite, o governo do Estado deve R$ 220 milhões para as cooperativas de saúde. Em maio passado a PGE foi acionada para mais de 900 audiências envolvendo trabalhadores que nunca receberam um centavo das tais cooperativas.
O CAOS
Sidney diz que o caos na saúde estadual é total. O quadro indigna qualquer um: 300 pessoas esperam nas “filas da morte” por transplante renal e outras centenas agonizam clamando por transplante de fígado. “Infelizmente, Amazonino Mendes vai herdar essa bronca toda”, desabafou o parlamentar à coluna.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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