Chegou a hora de Jair Bolsonaro mostrar que, apesar de seu mau comportamento como governante - seu desprezo pela vida alheia, sua negação à ciência, seu preconceito contra os pobres, sua ojeriza aos gays, seu permanente desrespeito às mulheres, sabe se render à democracia, expressa pela voto. Admitir que perdeu é um reencontro com a verdade objetiva, que deve ser compartilhada com seus seguidores.
A insistência em anular a eleição é um problema para todos. Em si mesma é um risco menor à democracia, mas potencializa conflitos e abre espaço para que o Judiciário assuma o controle de tudo, uma vez que há uma expressa previsão constitucional de que nem a própria lei pode ser afastada da apreciação de juízes quando há conflitos de interesse em jogo.
Quer dizer, nada é arbitrário, mesmo quando um ministro do STF decide redefinir o conceito de democracia, concentrar o poder de investigar, acusar e condenar, ou atropelar os governadores ao convocar os comandantes das policias militares para uma reunião que, mesmo a despeito de supostamente avaliar a eleição, teve caráter eminentemente midiático, com promessas de condecorações.
Não, o ministro A.M não está errado. Os constituintes deram ao Judiciário um excessivo poder, que precisa ser contido por emenda constitucional. Mas os políticos são reféns de seus erros, passados e presentes. É improvável que resolvam mudar a regra de um jogo que eles criaram em 1988 em benefício próprio, não da sociedade. Hoje são prisioneiros desse erro.
A esperança é que Bolsonaro tenha juízo, mude seu comportamento e se renda ao resultado das urnas. De outro lado, é esperar que o Congresso Nacional entenda que vem encolhendo aos olhos da população. Que seu poder de legislar foi transferido para o Judiciário e que cabe ao Judiciário devolvê-lo.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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