O tropeço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que “traficantes são vítimas dos usuários” reacendeu um debate sensível sobre a política de drogas e os limites da retórica presidencial. A frase, dita em entrevista na Indonésia, foi mal recebida, gerou críticas imediatas e levou o próprio Lula a se retratar horas depois, reconhecendo que havia “feito uma frase mal colocada”.
A correção foi necessária, mas o episódio mostra o quanto as palavras de um chefe de Estado têm o poder de deslocar o centro do debate público — mesmo quando a intenção é oposta.
Ao admitir o erro, Lula acertou o gesto, mas o episódio serve de alerta. Em temas de alta carga simbólica — como crime, drogas e desigualdade —, a imprecisão verbal pode custar mais do que um mal-entendido.
Mais do que corrigir a frase, é preciso corrigir o tom: num país ainda dividido entre repressão e omissão, o presidente deve ser o primeiro a falar com clareza. Isso não faltaria, como não falta, ao presidente. Todos sabemos, e já constatamos, por mais de uma vez!
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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