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Advogado da JBS diz que encontrou Miller 11 dias antes dele pedir exoneração

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BRASÍLIA — O diretor jurídico do grupo da JBS, Francisco Assis e Silva, contou em depoimento à CPI da JBS que esteve com Marcello Miller no dia 12 de fevereiro e que no dia 17 do mesmo mês o apresentou ao executivo Ricardo Saud. Os encontros ocorreram antes do dia 23 de fevereiro, quando Miller pediu exoneração do cargo de procurador. Francisco disse aos parlamentares não saber que Miller ainda atuava no Ministério Público quando o conheceu e admitiu a ajuda dele na elaboração dos documentos entregues na delação. As informações foram reveladas pelo relator, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), após a CPI ter ouvido Francisco em sessão secreta.

— Ele (Francisco) disse que o Marcello Miller contribuiu na formatação dos documentos — afirmou o relator da CPI.

De acordo com o relato feito por Marun, o diretor jurídico do grupo disse ter ligado no dia 19 para o procurador Anselmo Lopes e no dia seguinte o informou do desejo dos executivos, entre eles os irmãos Batista, de fazer delação. Anselmo, então, os encaminhou à Procuradoria-Geral da República pelo fato de a colaboração envolver pessoas com foro privilegiado. No dia 21, então, Francisco contou ter se reunido com Sérgio Bruno, coordenador da força-tarefa pela primeira vez. No dia 4 de março, Eduardo Pellela, chefe de gabinete do ex-procurador Rodrigo Janot, o teria recebido para tratar do tema.

Todos esses encontros ocorreram antes da gravação feita por Joesley com o presidente Michel Temer, que ocorreu em 7 de março. O procurador-geral, Rodrigo Janot, no entanto, só teria começado a participar do caso em 24 de março, quando foi assinado o termo de confidencialidade da delação.

Em seu depoimento, Francisco reiterou que o procurador Ângelo Goulart Villela tinha sido cooptado para atuar a favor da empresa na Operação Greenfield. Ele afirma que quando na ação controlada tratou-se de honorários por "êxito" na defesa dos argumentos da JBS no processo a referência era a pagamentos a Villela. Francisco, porém, disse não ter informações sobre a suposta mesada de R$ 50 mil que seria paga ao procurador. Ele afirmou que o pagamento poderia ser feito por meio do advogado Willer Thomaz, mas disse não ter provas de qualquer pagamento.

O procurador, que chegou a ser preso por causa da delação, nega ter atuado em favor do grupo e afirma que desejava apenas incentivar os empresários a fazer delação. Willer era advogado constituído nos altos pela Eldorado Celulose, empresa do grupo da JBS, e nega ter praticado qualquer ato ilegal.

Diante deste embate, o deputado João Gualberto (PSDB-BA) apresentou um requerimento pedindo acareações entre Francisco, Villela e Thomaz. Não há data para votação dos requerimentos, mas vários deputados saíram da sessão destacando a necessidade desse ato.

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