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Conselheiro de Segurança Nacional do governo Trump se reúne com Bolsonaro

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Conselheiro de Segurança Nacional do governo Trump se reúne com Bolsonaro
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RIO — O Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, chegou à casa do presidente eleito brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL), às 6h55 da manhã desta quinta-feira para uma visita-chave sobre o futuro das relações com o Brasil. O americano estava numa megacomitiva de segurança com três carros pretos e outro prata, enquanto helicópteros da Polícia Federal sobrevoavam a área. Várias motos do Batalhão de Choque da Polícia Militar reforçaram o esquema.

A equipe de segurança de Bolton começara a chegar ao condomínio Vivendas da Barra, onde mora Bolsonaro, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, às 06h13. Às 06h46, o deputado estadual Flavio Bolsonaro, eleito senador pelo Rio, também entrou no local. O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o atual chanceler, Aloysio Nunes (PSDB), também participaram do encontro.

Bolsonaro recebeu Bolton em clima amigável e bateu continência ao ver o assessor da Casa Branca descer do carro. O conselheiro dos EUA disse que era um prazer encontrar o presidente eleito. Em seguida, Bolsonaro levou Bolton a uma informal mesa de café da manhã, sem toalha, na qual havia pães, queijos na bandeja de isopor, bolo, água de coco industrializada e pequenas porções de iogurte danoninho.

O general Augusto Heleno, escolhido por Bolsonaro para comandar o gabinete de segurança institucional, também estava presente. Ele se sentou ao lado do presidente eleito na mesa em que ocorreu a reunião com a delegação americana e disse a Bolton e seus assessores que Brasil e EUA devem reforçar seus laços bilaterais devido às proximidades "geográficas e geopolíticas" entre os dois países.

- Temos que nos aproximar. Isso parece muito importante - disse o general.

Bolton veio ao Rio numa escala da sua viagem a Buenos Aires, onde participará da cúpula do G-20. A delegação americana era composta pelo diretor de imprensa Garrett Marquis, o diretor do conselho para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Mauricio Claver-Carone, o diretor para o Brasil, David Schnier, e o chargé d'affaires Bill Popp (funcionário responsável por chefiar missão diplomática na ausência do embaixador). Às 8h, Bolton e sua comitiva saíram do condomínio de Bolsonaro. O encontro durou exatamente uma hora.

Embora rápida e discreta, a visita de Bolton provocou certo tumulto adicional à vida dos vizinhos de Bolsonaro. Moradores precisaram atravessar o reforçado esquema de segurança para levar os filhos à escola, começar um dia de trabalho ou dar um passeio na praia.

Bolsonaro, por sua vez, deixou o condomínio às 8h30 e seguiu rumo a um evento na Vila Militar do Rio de Janeiro, para acompanhar a formatura na Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais.

Entre os prováveis temas mais quentes previstos para a reunião de Bolton e Bolsonaro estavam a crise humanitária na Venezuela; a expansão da presença chinesa na América Latina; e os planos do futuro governo de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv a Jerusalém, confirmados nesta semana pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em visita a Washington.

O breve encontro é crucial para o futuro das relações entre EUA e o novo governo brasileiro. A viagem pode dar o tom e confirmar se a proposta de “namoro” entre os dois governos pode prosperar. Bolsonaro — chamado por parte da imprensa internacional de “Trump dos trópicos” — nunca escondeu admiração pelo presidente americano. Por sua vez, a Casa Branca elogiou a eleição do brasileiro, considerada "uma boa notícia" para a região.

Com tal boa vontade de ambos os lados, o primeiro encontro pode confirmar se a aparente empatia poderá se transformar em medidas práticas. Bolsonaro tem indicado que pode seguir algumas das medidas mais polêmicas de Trump, como mudar a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e abandonar o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

O debate sobre uma estratégia única para a crise humanitária venezuelana e a tentativa de ampliar o comércio entre os dois países são partes da agenda comum. Os americanos ainda querem tentar reduzir a crescente influência chinesa na América Latina, enquanto o futuro governo quer atrair investimentos para o Brasil.

Fontes da Casa Branca afirmam que, apesar do manifesto interesse mútuo entre os dois países de ampliar laços — motivados por identificação ideológica —, há um ceticismo no lado americano. Assim, a visita de Bolton terá um caráter exploratório e pode definir o futuro do relacionamento bilateral. O Brasil está longe de ser prioridade em Washington, mas fontes oficiais admitem que, pelo posicionamento ideológico, pela crise da Venezuela e pela guinada à esquerda do México com o novo presidente Andrés Manuel López Obrador, o Brasil pode ter uma importância maior.

 

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