BRASÍLIA - Delator e delatado frente a frente, na mesma mesa. , apontado como operador do PMDB em esquemas de corrupção, e o ex-presidente da Câmara (PMDB-RJ) puderam dar uma escapada da prisão nesta quinta-feira. Eles estão na sala de audiência da 10ª Vara Federal de Brasília para acompanhar depoimentos em processo no qual são réus por suspeitas de ter desviado dinheiro do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (), administrado pela (CEF).
Cunha chegou carregando uma mala verde cheia de papéis. Ele retirou parte dos documentos e os colocou sobre a mesa da sala de audiência. Funaro chegou minutos depois. Os dois estão acompanhados por seus advogados. Em sua delação, Funaro disse, entre outras coisas, que a propina arrecada por Cunha foi repassada também presidente Michel Temer.
Nesta quinta-feira, prestam depoimentos dois réus: o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, e o empresário Alexandre Margotto. Em comum, os dois firmaram acordos de delação premiada para colaborar com as investigações. Na sexta-feira, serão ouvidos Funaro, Cunha e o ex-ministro e ex-presidente da Câmara Henrique Alves, que está preso em Natal.
Após a audiência, Cunha disse que não poderia dar entrevista. Mas afirmou que pediria autorização ao juiz federal Vallisney de Souza Oliveira para conversar com os jornalistas na sexta-feira.
Cunha foi detido em outubro de 2016, por ordem do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Lava-Jato. Como o processo em que é réu por desvios do FI-FGTS corre na Justiça Federal de Brasília, ele foi transferido temporariamente para a Papuda, presídio localizado na capital federal. Funaro está preso desde julho do ano passado.

