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Em voto separado , senador diz que relatório de Marun é teatro do absurdo

BRASÍLIA - O senador Lasier Martins (PSD-RJ) classificou de farsa, pantomina e teatro do absurdo o relatório apresentado na terça-feira pelo deputado (PMDB-RS) na CPI da JBS. Num voto separado, o senador afirma que o parecer de Marun tem como objetivo promover uma vingança, sem qualquer pudor, contra procuradores e outras autoridades da Operação . No relatório, Marun pede o indiciamento do ex-procurador-geral Rodrigo Janot e sugere investigações contra o juiz , da 13º Vara Federal de Curitiba, e o ministro , do Supremo Tribunal Federal, entre outros.

"Desde a sua tenra origem foi assim, com a escolha óbvia do seu Relator, um dos mais tenazes apoiadores do Presidente Michel Temer e fiel aliado do Deputado Eduardo Cunha. A figura do Deputado Carlos Marun simboliza, com raras perfeição e precisão, a que se propôs esta SF/17033.31019-81 Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 50 CEP 70165-900 – Brasília DF 2 Comissão Parlamentar Mista de Inquérito: um teatro do absurdo cujos atores elegeram como objetivo, sem o menor constrangimento moral, vingar os seus aliados denunciados pelo Ministério Público Federal", escreveu Lasier.

Um dos mais fiéis aliados do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso em Curitiba, Marun toma posse amanhã como ministro da Secretaria de Governo. Trata-se do terceiro cargo mais importante na hierarquia do poder do Palácio do Planalto. "Proféticos foram os nobres Colegas Senadores que decidiram, no começo desta grande farsa montada, se afastar desta CPMI. Respeito muito a posição deles, mas preferi ficar até o final justamente para poder mostrar ao Brasil a pantomima que foi o encaminhamento desta Comissão chapa branca", disse Lasier.

Para o senador, em vez de investigar relações espúrias de políticos com os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, os aliados de Temer se juntaram a petistas insatisfeitos com a Lava-Jato para atacar Janot e outras autoridades responsáveis por investigações sobre corrupção. Lasier criticou ainda o uso investigados o procurador Ângelo Goulart e o advogado Tacla Duran para desacreditar os investigadores. "Tivemos, portanto, em mais de uma vez, a utilização de personagens denunciados por crimes graves para, movidos por uma estratégia de desqualificar os seus algozes inquisidores, falar exatamente aquilo o que grupos políticos denunciados pelo Ministério Público Federal queriam ouvir e ecoar em seus palanques".

Marun e o presidente da CPI, Ataídes Oliveira (PSDB-TO) tentam votar o relatório ainda hoje. A reunião estava marcada para as 9h, mas só cinco parlamentares registraram presença até por as 10h30. O deputado João Gualberto (PSDB-BA) pediu o encerramento da sessão. Irritado com a pressão do colega, Ataídes remarcou o início da sessão para as 10h45.

Marun e outros parlamentares da base governista decidiram aumentar a pressão contra Janot e outras autoridades depois que o ex-procurador-geral apresentou duas denúncias contra o presidente Michel Temer. A primeira por organização criminosa e obstrução de justiça. A segunda por corrupção. Temer é acusado de escalar o ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures para negociar cargos e decisões estratégicas do governo com Joesley Batista. Depois de uma conversa que os dois tiveram em 7 de março neste ano, Loures foi filmado correndo pelas ruas de São Paulo com uma mala com R$ 500 mil. A mala tinha sido entregue a ele por Ricardo Saud, um dos operadores da propina da JBS.

Para a Polícia Federal, o dinheiro seria parte de uma propina que, ao longo de 20 anos, bateria a casa dos R$ 400 milhões, conforme o sucesso das supostas negociatas. As denúncias contra Temer foram bloqueadas pela base governista na Câmara. As investigações só poderão ser retomadas depois que Temer deixar o cargo de presidente da República. A parte relativa a Loures continua em andamento. Nesta semana,, a 10 Vara Federal de Brasília decidiu abrir processo contra o ex-assessor do presidente. No início da investigações, Loures passou um mês preso.

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