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Gestão Doria teria orientado empresa a vencer concorrência no carnaval de SP

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SÃO PAULO. A gestão de João Doria (PSDB) em São Paulo teria orientado uma agência de eventos a inflar proposta para vencer concorrência no cuidado da organização do último carnaval de rua de São Paulo. As informações são da rádio CBN nesta segunda-feira, que obteve um áudio de uma conversa entre diretores da agência Dream Factory, contratada pela Ambev, e integrantes do alto escalão da gestão Doria. A conversa faz referência tanto ao vice-prefeito Bruno Covas quanto ao secretário de Cultura, André Sturm. A Promotoria do Patrimônio Público abriu investigação para apurar o caso.

O áudio é de uma conversa realizada em 17 de fevereiro, às vésperas do carnaval — Doria estava em viagem a Dubai neste dia. Na reunião estão funcionários da Secretaria de Cultura, entre eles a chefe de gabinete do secretário, e dois diretores da Dream Factory.

Nela, os representantes da empresa e a chefe de gabinete narram outra reunião na prefeitura em que o vice-prefeito Bruno Covas teria orientado os integrantes da Ambev e da Dream Factory a alterar os itens de uma planilha que continha a proposta de gerenciamento do carnaval. A planilha da Ambev tinha valor de R$ 15 milhões e a da concorrente, SRCOM (parceira da Heineken), era de R$ 8,5 milhões. Teriam participado desta outra reunião, em janeiro, tanto o secretário de Governo, Julio Semeghini, e o da Cultura, André Sturm. A prefeitura confirmou este encontro, segundo a CBN.

A Ambev acabou sendo a escolhida. Auditores do Tribunal de Contas do Município identificaram uma série de irregularidades no edital e no processo de escolha, segundo a CBN.

O termo de parceria foi homologado em 27 de janeiro sem a assinatura do representante legal da Dream Factory. A planilha com os itens não foi incluída no termo e só foi enviada vinte dias depois, mas sem os preços relativos a cada item.

Trechos do áudio obtido pela CBN, em que eles cometam como a Ambev poderia mudar itens da planilha de serviços, para justificar o valor maior de sua proposta.

A SRCOM não se pronunciou sobre o caso.

André Sturm negou à CBN que houve direcionamento e que ele tenha pedido para inflar os valores da planilha. O secretário afirma que a proposta da Ambev era a única que cobria todos os gastos do Carnaval.

"O que nós fizemos foi, de acordo com o edital de chamamento, tem um item que garante essa possibilidade de trocar dentro dos itens apresentados os quantitativos, que foi o que nós propusemos. Isso permitiu que a prefeitura, que em 2016 gastou R$ 10 milhões no Carnaval, esse ano gastar zero. Então, não houve um favorecimento de maneira nenhuma. Houve, sim, um investimento muito maior em serviços para a cidade que permitiu um carnaval de rua com muito mais conforto para os foliões."

Em nota, a Ambev informou que o edital previa a redistribuição dos valores da proposta entre os itens. A empresa sustenta que não houve oferecimento de novo valor durante a concorrência.

A Dream Factory informou que a realocação dos recursos obedeceu ao edital, ocorreu sob orientação da comissão de avaliação e que foi perfeitamente lícita.

Doria ainda não comentou o caso.

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