SÃO PAULO. As quebras de sigilo fiscal e as buscas feitas pela Lava-Jato encontraram novos indícios de que André Vieira, da Arcos Propaganda, que intermediou recebimento de propina para Ademir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, teria atuado como operador também para políticos ainda não identificados pela operação.
Além de notas fiscais de pagamentos feitos pela Odebrecht à empresa MP Marketing, que segundo o juiz Sergio Moro seria uma firma de fachada, foi encontrada uma nota no valor de R$ 2,169 milhões para a J&F Investimentos, emitida em novembro de 2015.
Na delação do grupo JBS, o executivo Ricardo Saud disse utilizava os serviços de André Vieira para repassar propinas a agentes políticos
Quando prestou depoimento à Lava-Jato, André Vieira disse ter recebido R$ 3 milhões da Odebrecht por um serviço de consultoria prestado pela MP Marketing para a Odebrecht Ambiental e que foi a empresa que insistiu fazer os pagamentos em espécie.
Os impostos sobre o valor fora pagos apenas em março e abril deste ano - ou seja, dois anos após os recebimentos e somente após o início das investigações.
"O relato de André Gustavo Vieira da Silva não guarda correspondência com os depoimentos dos colaboradores e com o fato do pagamento ter sido efetuado pelo Setor de Propinas da Odebrecht. Fosse negócio regular, de se esperar o pagamento pela Odebrecht pelas vias usuais. O fato de André Gustavo Vieira da Silva ter recolhido os tributos incidentes sobre os pagamentos somente após o início das investigações também não favorece a sua versão dos fatos", disse Moro em despacho que autorizou a operação desta quinta-feira e decretou a prisão temporária de Bendine e Vieira, além do irmão deste último.
Moro afirmou que os serviços de consultoria não foram descritos e que faltou esclarecimento do destino dos valores recebidos.
O juiz autorizou buscas numa empresa de informática que oferece servidor remoto (nuvem) para a Arcos Propaganda, em busca de mais provas. A empresa fica em Porto Alegre (RS);

