BRASÍLIA - Parlamentares aliados consideraram muito ruim a viagem do presidente Michel Temer à Rússia e à Noruega, afirmando que as más notícias e as gafes não ajudaram já num semana difícil para o governo. Deputados e senadores criticaram o fato de Temer ter levado o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, e o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), num momento de votações no Senado que culminaram na derrota da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. E culpam assessoria do Itamaraty e do Ministério do Meio Ambiente por não ter evitado que Temer passasse o constrangimento de ver a Noruega anunciar o corte de recursos para o Fundo da Amazônia.
O Palácio do Planalto também está "culpando" o Itamaraty por, nas reuniões preparatórias da viagem, não ter visto os problemas.
Aliados não pouparam nem mesmo o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, por ter declarado que não haveria como prever o fim do desmatamento.
— Foi triste! — resumiu um senador.
No Planalto, a irritação era com a leva de diplomatas que preparam as viagens. Houve corte de recursos e ainda discursos de autoridades contra a corrupção no Brasil e a favor das investigações da Lava-Jato. A primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, mostrou sua preocupação com os escândalos de corrupção no Brasil. Ao lado de Temer, disse esperar uma "limpeza" com a Lava-Jato.
— Estamos preocupados com o processo da Lava-Jato. Esperamos uma limpeza e que sejam encontradas boas soluções — afirmou em declaração à imprensa, na sua residência oficial.
No caso da gafe direta de Temer, aliados preferiram dizer que ele ficou "distraído". Temer chamou a Noruega de Suécia.

