A Polícia Federal investiga se Luciana Almeida, assessora do vereador Carlos Bolsonaro, teria buscado informações sobre inquéritos em andamento. A conversa foi mencionada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre a operação desta quarta-feira (30).
A assessora é suspeita de mandar uma mensagem a uma assessora do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), com o intuito de buscar informações sobre um inquérito.
“Estou precisando muito de uma ajuda. Dra. Isabela Muniz Ferreira — Delegacia da PF Inquéritos Especiais. Inquéritos: 73.630 / 73.637 (Envolvendo PR e 3 filhos)”, diz a mensagem enviada.
A conversa demonstraria que Carlos Bolsonaro integraria o chamado "núcleo político" da "Abin paralela".
A mensagem cita o nome da delegada federal Isabela Muniz Ferreira, que era responsável pelo núcleo de inquéritos especiais.
"A solicitação de realização de 'ajuda' relacionada ao Inquérito Policial Federal em andamento em unidades sensíveis da Polícia Federal indica que o NÚCLEO POLÍTICO possivelmente se valia do Del. ALEXANDRE RAMAGEM para obtenção de informações sigilosas e/ou ações ainda não totalmente esclarecidas, razão pela qual se faz mister as diligências abaixo representadas", diz a Polícia Federal em representação enviada ao ministro.
O trecho "PR e 3 filhos" seria uma suposta menção ao ex-presidente Bolsonaro e os seus filhos.
"Como ressaltado pela autoridade policial, as 'demandas' eram tratadas por meio de assessoras, e não diretamente entre os investigados, 'corroborando ainda mais o zelo em relação aos vestígios das condutas delituosas'", disse Moraes.

