SÃO PAULO - , de 74 anos e condenado a 181 de prisão por estuprar pacientes, cumpra prisão domiciliar deixou os moradores do condomínio onde sua família vive incomodados. A síndica do local, que está em férias na Europa, chegou a pedir o telefone do dono do imóvel, que é alugado, para “ver o que fazer”. Roger cumpre pena em Tremembé, interior de São Paulo, e , sem previsão de alta.
O economista Ilan Efraim, de 54 anos, disse ao GLOBO que o clima é de “revolta e repúdio”.
— Não se pode imaginar coisas boas dessa vizinhança. Sempre há medo de uma vingança, ou uma recaída dele — afirmou Efraim.
Outro morador, que prefere não ser identificado, conhece bem a mulher do ex-médico, Larissa Sacco, e os filhos, gêmeos, de 6 anos, e elogiou sua postura “sempre educada”. Mas concorda, entretanto, que “não é de bom tom” ter Abdelmassih “perto de moças novas que moram aqui”.
— Além disso, não estamos gostando de toda essa curiosidade sobre o prédio. Aqui sempre foi muito tranquilo. A gente tem até medo de fazerem alguma coisa contra ele quando chegar — contou o morador.
Nas redes sociais, outra vizinha chamou a decisão da Justiça de “ultraje”.
“Então, você acorda de manhã e descobre que ganhou um novo vizinho: o psicopata Dr. Roger Abdelmassih. Que ultraje!”, escreveu ela.
Abdelmassih está internado desde o dia 18 de maio. Para tratamento domiciliar, precisará de três cuidadores, um investimento que deve chegar a R$ 10 mil por mês. Fora aparelhagem para receber cuidados e medicamentos. Manter uma UTI em casa pode chegar R$ 90 mil diários, dependendo das necessidades do paciente.
A família de Abdelmassih não foi localizada para comentar a decisão da Justiça e seu estado de saúde. Além do casal de gêmeos que teve com Larissa, Abdelmassih é pai de Vicente, Soraya, Mirella, Juliana e Karime.
Vicente e Soraya são filhos de Sônia, segunda mulher do ex-médico e morta em 2008, vítima de câncer. Eles foram registrados por Abdelmassih ainda bem novos. A dupla, ela bióloga e ele médico, trabalhou com o pai na clínica de fertilização onde fez suas vítimas, e segue atuando em outro local. Em entrevista dada à revista "Época" em 2012, os dois mostraram ressentimento com Aldelmassih. Segundo amigos próximos, até hoje Vicente não fala com o pai e "tem muita raiva dele".
Por ter sido sócio do pai na clínica, sofreu processo de clientes. A mansão que pertence a ele e aos irmãos, de R$ 18 milhões, foi a leilão, mas não houve comprador. Vicente processou o pai por danos morais e materiais.
Soraya tentou reaproximação e o visitou algumas vezes. Tem quatro filhos e, segundo amigos, vive com muita dificuldade financeira. Complementa a renda vendendo doces finos, tradicionais, brigadeiros gourmet e bolos. Os quitutes são muito elogiados na internet. Acumula processos para pagamento de contas atrasadas do condomínio e IPTU. No último registrado, foi condenada a pagar mais de R$ 54 mil em impostos.
Na mesma entrevista com o irmão, disse que seu relacionamento com Abdelmassih "nunca foi de filha e pai", mas de "funcionária e patrão", e ainda lamentou a situação financeira. "De certa forma, tudo que aconteceu foi uma libertação para mim. Se o escândalo não tivesse me deixado numa situação financeira tão difícil...".
A situação é diferente para Mirela Cutrale, a primeira filha biológica de Abdelmassih com Sônia. Ela é casada com o empresário José Luiz Cutrale Júnior, herdeiro do grupo Cutrale, um dos maiores processadores de laranja do mundo. A dupla se uniu em 1999 com um festão para 800 convidados e a presença de clientes do pai do noivo, políticos e famosos.
Já a nutricionista Juliana Nagy mora fora do país e é casada com o ginecologista húngaro Peter Nagy. A caçula Karime Abdelmassih é proprietária de uma empresa que realiza casamentos, em São Paulo.
A ex-procuradora da República Larissa Sacco, de 38 anos, é casada com Abdelmassih desde 2010. Numa entrevista a uma rádio, após ser encontrado no Paraguai pela Polícia Federal, Abdelmassih disse que a fuga (ele ficou dois anos foragido) foi ideia da mulher. “Eu achava melhor me entregar. Minha mulher disse: ‘Não, vamos embora”. Aí, falei com a minha irmã que tem um haras em Presidente Prudente. Fomos para lá. De lá fomos para o Paraguai”, contou.
Hoje Larissa trabalha como advogada e é experiente em improbidade administrativa e outras ações públicas. Tem ainda vivência na área penal federal, conforme descreve em sua rede social. Paga cerca de R$ 12 mil de aluguel para viver no apartamento de 270m2. O condomínio custa R$ 2,6 mil. Mantém pelo menos uma diarista e motorista. Os filhos estudam num colégio, tradicional da capital, com mensalidade de R$ 2,2 mil. Segundo pessoas próximas, a família a ajuda com as despesas.

