Daqui a 14 dias teremos mais uma Copa do Mundo, desta vez em três países com quarenta e oito seleções. Quero neste artigo analisar a corrupção na Copa do Mundo, que é uma fenômeno sistêmico, envolvendo o desvio de verbas públicas na infraestrutura das cidades-sede e o pagamento de propinas a dirigentes da FIFA para influenciar a escolha de países anfitriões, como revelado pelo escândalo conhecido como “FIFA Gate”.
De há muitos sabíamos desse vasto esquema de corrupção no futebol mundial, envolvendo fraude, extorsão e lavagem de dinheiro. A perpetuação no poder de alguns dirigentes incluindo as Federações, induz a corrupção, e corrupção é como prostituição. Uma prática muito antiga. É da natureza do ser humano ceder, sob pressão, ameaça ou certas vantagens. Crime, condenável e desprezível. Considerar a corrupção como problema basicamente cultural não parece correto. Dado que ocorre em toda parte, como os milionários dirigentes suíços, surge a tentação misantrópica de achar que a corrupção corresponderia à essencial natureza humana. Mas a análise histórica mostra que se trata de problema moderno.
A FIFA é como se fosse um Estado, e um Estado milionário E como acabar com essa praga? Começando com a redução das vantagens econômicas proporcionadas pela corrupção. O endurecimento das punições aplicadas aos corruptos desestimularia a corrupção; mas isso depende de medidas legislativas e, acima de tudo, do fortalecimento das instituições judiciais, a fim de que sejam capazes de proteger os interesses dos cidadãos. A corrupção é insidiosa, provoca ineficiência econômica, corrói a legitimidade das instituições. Sua eliminação é manifestamente impossível; o controle, extremamente difícil. Essas reflexões acodem num momento em que nossas instituições governamentais parecem estar podres. Não se perca de vista que sempre houve corrupção; hoje sabemos mais graças à mídia e a instituições como as CPIs, ainda que uma e outra ainda sejam deficientes. A constância dos noticiários sobre atos indignos de corrupção em suas múltiplas facetas parece recrudescer nos últimos tempos.
A imprensa em sua nobre e imprescindível missão de bem informar, por meio de seus canais de divulgação, veicula quase que diariamente estes fatos desairosos praticados por personalidades públicas, tanto em âmbito privado quanto em setores governamentais nos várias escalões de poder do Estado. Dir-se-ia que o homem já nasceu com esta deformação moral que acompanha a sua trajetória evolutiva. Mostra a prática que a formação ética de um indivíduo se atém principalmente à luta contra este impulso malévolo, de modo específico nas circunstâncias em que o ato reprovável for conhecido apenas pelo seu próprio autor. As aparências são enganosas e é nelas que se escudam os corruptos. Como proclama o cediço e popular aforisma “são lobos em pele de cordeiro”. De qualquer forma, seja esta ou qualquer outra a explicação para o delito em questão, ao cidadão de bem não é lícito ficar inerte frente a qualquer ilícito desta ordem.
Se, de outra forma, não puder demonstrar a sua inconformidade, pelo menos que seja utilizada uma palavra candente como forma de repto, tal como intenta este despretensioso articulista. Esperemos que a corrupção nesta Copa, não influencie os árbitros e o VAR.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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