Enquanto o 8 de março deveria ser um dia de celebração e reivindicação de direitos, os dados mais recentes mostram que a realidade para muitas brasileiras é de extrema vulnerabilidade. Alcançamos o maior o número de feminicídios desde que a lei foi criada, e os dados divulgados agora neste início de março de 2026, reforçam a urgência dessa pauta. Então o que comemorar?
Muito, podemos dizer, se compararmos a evolução da presença feminina na sociedade como um todo. Pouco, pode-se observar, se decidirmos analisar a presença das mulheres na política em nosso estado.
Apesar de alguns avanços notáveis, como o fato de hoje as mulheres poderem ocupar 30% das vagas destinadas aos partidos nas eleições – coisa que vigora para todo o País, diga-se de passagem – é difícil imaginar quando as mulheres vão poder dividir com os homens os cargos públicos, na real proporção da participação feminina na sociedade – mais de 50% do eleitorado. Nunca elegemos em Manaus, uma mulher prefeita de capital. Muito menos uma governadora. Sinal dos tempos? Pode ser.
Os quadros políticos no Brasil, e o Amazonas não é diferente, ainda se formam, em percentual elevado, no ambiente familiar e dificilmente um pai aposta em uma mulher na vida pública se tem um filho que possa lançar primeiro. Se no próprio ambiente familiar é assim, como a sociedade vai reagir diferente? Seria o exagerado machismo o culpado por tudo isso? Novamente só um estudo sociológico para responder mas, sem sombra de dúvida, no dia em que a mulher depender menos do âmbito familiar para chegar à política, vai andar com muito mais celeridade e confiança.
Há entretanto um cinismo crônico instalado no Brasil, marcado por regras escancaradamente machistas. Há um horror de muitos homens em perder o poder e o domínio. Inconscientemente, pode ser, ainda há um espelho masculino que apresenta-se irremediavelmente trincado ante o desmoronamento do domínio patriarcal. E uma ferida narcísica aberta no imaginário masculino diante de conquistas notadamente femininas.
Ocorre que à mulher não serve mais a vestimenta da dependência ou passividade. Muito menos o cinismo de ser sempre colocada como objeto de fetiche.
Parabéns a todas as mulheres.
Espaço Crítico
Possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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