Dedico este artigo aos amigos e amigas, como Geraldo Catunda, Frankie Garcia, Liege Cruz, Jorge Álvaro, José Chain, Isper Abrahim, Antonio Vilela, Paulo Montenegro, Carlos Monteiro, Carlos Valente, Antonio Sanches, Socorro Santos, Franio Lima, Nahum Falcão, Flavio e Fredson Cantizani, e outros tantos que se sintam aqui citados, alguns até achando que “a velhice é uma merda”, mas sentindo-se satisfeitos por ainda estarem desse lado do espelho.
A geração que foi jovem nos anos sessenta está começando a envelhecer. Aqueles que já atingiram os sessenta ou setenta anos, não aceita o imperativo “velho”, ou qualquer outro tipo de rótulo que sempre rejeitou e contestou. Quando penso em uma forma positiva de envelhecer penso em Roberto Carlos, em Ney Matogrosso e em outros homens e mulheres que se reinventam permanentemente, e que podem nos ensinar sobre a bela velhice..
Como me disse outro dia um médico com benevolência, eu sou um jovem de idade. Se assim for, você sabe que ficou (mas não está) velho quando o passar dos anos, com todas as alegrias, sucessos, doenças, vergonhas, decepções e sofrimentos neles contidos, confere a você uma inesperada energia e uma imutável e até intrusiva juventude.
Lembro-me de Simone de Beauvoir, no seu fascinante e cruel livro sobre o processo de envelhecimento “A Velhice”, que reflete sobre a própria velhice. O termo “velho” soa como um insulto. Deve mesmo haver uma diferença entre ficar e se sentir velho. É claro que existe uma realidade biológica irrefutável, da qual não podemos fugir, mas é melhor pensar em ser um velho moço do que um moço velho, e talvez seja este o segredo de vencer a velhice: deixar que a idade atinja apenas o corpo e manter-se jovem no espírito, pois este jamais envelhece, além de não se levar demasiadamente a sério.
Dom Helder Câmara tem a melhor frase para a velhice quando diz: “À medida que envelhecemos, devemos cuidar de ser como um bom vinho que quanto mais velho é mais saboroso e não nos tornarmos amargos como vinagre”. Por que estou escrevendo sobre a velhice? Porque, toda vez que vejo ou revejo amigos na minha faixa de idade, sinto-me mais jovem. Talvez seja pelos bons fluídos positivos que emanam, ou porque realmente eu esteja menos velho. Sentimo-nos (vejam que estou usando o plural) mais jovens quando apesar do peso da idade, conseguimos servir de exemplo aos mais jovens, quando romantizamos pedaços da vida, o corpo que conta uma história, e as relações que sobreviveram a brigas. Passamos a parar de buscar o novo, e admirar o resistente.
Neste encontro singular e íntimo com a idade, descobrimos e tomamos consciência da maravilha que é a vida. Então deixemos de pensar na velhice como uma etapa inevitável de decadência, declinação e antecessora da morte. Seria bom que fosse adotado no Brasil o lema das sociedades orientais, e das culturas incas e astecas, em que o ancião era visto com uma aura de privilégio sobrenatural que lhe concedia uma vida longeva e como resultado, este ocupava um lugar primordial, onde a longevidade se associava com a sabedoria e a experiência.
As recorrências aqui feitas fazem com que descubra que permaneceu jovem, mas envelheceu.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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