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Hora de desoprimir os recalques e repelir os dissabores

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Por Espaço Crítico
23/02/2025 às 22h06 — em Espaço Crítico
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Faltam sete dias para a festa considerada a maior do mundo em termos de folia. Pernas e bundas à mostra, fantasias coloridas, caras pintadas, época dos folguedos rasgados.

Não há argumento, que se saiba, a opor-se à continuidade dessa quase meia semana de folia, a qual oferece enorme oportunidade de abertura para o desoprimir dos recalques, repelir os dissabores e afugentar as revoltas.

Toda a indignação e insatisfações do dia-a-dia, no decorrer, dessa explosão de alegria, condiciona-se a uma reconciliação dos sentidos, graças à harmonia que a exteriorização dos sentimentos proporciona aos carnavalescos em seus vaivéns relaxados, não é de admirar então que a farra não deixe de tomar conta de todo mundo.

Esbaldam-se cheios de animação nos desfiles de blocos de modo a contagiar a todos os presentes. No sentido coletivo, a preocupação desses conjuntos de roupagem uniforme, consistem em vencer as competições, organizadas formalmente, com ofertas de compensações aos participantes que se destacarem.

O reinado de Momo é breve, mas pleno, liberal e liberado, democrático de suor e cerveja, de samba, cordões e afoxés e trios elétricos. Não sei onde tanta gente, nesta época de crise, acha dinheiro para comprar abadás, beber e comer. Também não sei onde tanta gente conserva tamanha energia para pular, rebolar e dançar, noite e dia no asfalto, freneticamente, incansavelmente, e em cima dos trios, mostrando corpos sensuais, com minúsculas roupas.

E tudo no reinado de Momo. Um rei de grande corte, obeso às próprias custas, não cobra impostos de ninguém, não prende, não persegue, pouco tem de seu como criatura humana, porém no seu simbolismo é majestade que realmente abre a cidade a todos, grandes e pequenos, sem impostos e taxas, sem problemas e exigências, sem ameaças e imposições, para uma grande festa, que abrange todas as camadas sociais.

Muita alegria aos que realmente precisam retirar das costas, pelo menos durante uma semana, a grande e imensa carga de preocupação, angústia, que carregam durante o ano inteiro.

O povão no Carnaval esquece a espera de dias melhores que os políticos prometem e continuam a prometer, eles, políticos, mudando a toda hora de partido na ciranda de galho em galho, porque também na planície, onde há os menos favorecidos, é difícil viver.

A válvula mesmo é o Carnaval. E como o povo é estoico, lá dentro do seu íntimo, um processo milagroso ou por instinto de conservação a alegria não fica adormecida. Uma multidão sofrida, nestes dias esquece todas as amarguras e preocupações, faz tremer o chão das ruas, praças e bandas.

Mesmo sem acreditar em muitos políticos que vão às ruas, misturando-se com o povo, esquecidos que azeite e água não se misturam. No item carnavalesco comissão de frente, vemos agora a briga dos políticos para ver quem mais aparece cumprindo sua agenda de mostrar densidade aos eleitores neste ano político.

O essencial é que estes brasileiros, os que fazem o Carnaval e também os que não ligam para o samba, têm potencial inquestionável para construir um país digno, justo e feliz.

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Possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

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