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Análise: Casa Branca de Trump faz confronto com o inevitável

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Dez dias atrás, a turbulenta gestão de Donald Trump navegava por águas relativamente tranquilas, mas a enxurrada de informações reveladas desde então parece estar nos levando a um ponto até então inédito, forçando uma escolha explícita entre as palavras da Casa Branca e as de um ator exterior. A reportagem do “Washington Post” sobre a revelação de informações confidenciais chegou perto, mas o governo escolheu bem as palavras, que não soaram como uma completa negação das acusações. Já a negação da reportagem de ontem do “New York Times” é explícita: a Casa Branca afirma que a notícia sobre o memorando de James Comey não é “verdadeira ou precisa”, forçando o povo americano a decidir: em quem você acredita? Trump ou Comey? Na Casa Branca ou na imprensa?

Há uma série de evidências que reforçam a ideia de que Trump pressionou Comey a abandonar as investigações sobre Michael Flynn. Mas nas disputas de credibilidade, Trump, de alguma forma, sempre sai vencedor, pelo menos entre a sua base eleitoral, representativa de uma grande porção do eleitorado republicano e, portanto, capaz de amenizar críticas ferozes ao presidente por parte de seu partido.

Nesse caso, americanos terão que escolher entre a Casa Branca e a mídia, uma escolha que, particularmente para um grande número de republicanos, será bem fácil. Muitas pesquisas mostram que eleitores do partido são mais propensos a acreditar no presidente do que na imprensa, e não há qualquer indício de que as óbvias contradições recentes por parte dele danificaram de qualquer forma a confiança dos republicanos na palavra de Trump quando confrontada com a da mídia.

Essas contradições nos lembram da existência de uma outra camada de complexidade. Elas surgem às custas de sua equipe, designada para oferecer uma versão dos fatos até que Trump, numa entrevista ou no Twitter, atire uma granada nos seus colos. Foi assim no episódio da demissão de Comey e, de certa forma, foi assim também esta semana com as revelações aos russos. É muito possível que todo o conflito desta terça-feira seja extinto na manhã de hoje, quando Trump simplesmente admita a conversa com Comey. É impossível saber: o próprio Trump admitiu no Twitter esta semana que seus representantes são “mensageiros imperfeitos de suas verdades”.

Enquanto a disputa de discursos permanece, a matéria do “New York Times” dá aos defensores de Trump um amplo espaço de manobra. Mas, novamente, o caminho dos últimos dez dias tem sido de menos manobras e mais e mais contrastes diretos entre Trump e alguma figura externa. Esse é o momento de tensão que vinha se formando desde o anúncio de sua candidatura, sempre colocando o magnata contra adversários imperfeitos como Ted Cruz, Hillary Clinton ou a mídia tradicional. Eventualmente — e pelo que tudo indica, inevitavelmente — essa onda ira se chocar contra um muro.

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