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Análise: Maduro não sofre punições dos parceiros comerciais

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Até agora, pelo menos 19 países condenaram a Assembleia Constituinte convocada por Nicolás Maduro, entre eles 11 dos principais parceiros comerciais da Venezuela. A rejeição política, no entanto, ainda não se traduziu em medidas econômicas punitivas que poderiam ter alguma influência nas decisões do regime chavista. Há dúvidas entre os analistas sobre o alcance e a eficácia que tais medidas, se adotadas, poderiam ter. E mais dúvidas, ainda, se algum país vai chegar a tais extremos.

Os principais países da América Latina, como Brasil, México e Argentina, deixaram claro não querer permitir a consolidação de um regime autoritário na região. O Brasil manteve em parte a linha-dura contra Maduro, embora alegue não ter como não reconhecer a Constituinte. O chanceler Aloysio Nunes descartou sanções, argumentando que prejudicariam o povo venezuelano.

Fóruns internacionais como Mercosul e OEA não chegaram a ter consenso sobre a Constituinte, impedindo uma ação mais incisiva. No Mercosul, o Uruguai bloqueou um comunicado mais forte contra a Venezuela, enquanto na OEA os países caribenhos e quatro aliados de Maduro que aprovaram a Constituinte — Bolívia, Nicarágua, Equador e El Salvador — vêm, há meses, sendo um escudo de Caracas.

— Há muitos países preocupados, mas pouca capacidade de trabalhar em conjunto — disse David Smilde, especialista do Escritório para Assuntos Latino-Americanos, em Washington.

O respaldo de poderosos aliados como Rússia e China estaria ajudando Maduro — os dois vetaram uma ação do Conselho de Segurança da ONU contra Caracas — mas só Putin se manifestou anteontem: “Esperamos que, na situação na Venezuela, atores externos não intervenham”.

Moscou tem uma importante participação na CITGO, refinaria e comercializadora de derivados do petróleo da PDVSA nos EUA, e Caracas deve US$ 1 bilhão à Rússia. Mas o editor da BBC russa, Famil Ismailov, acredita que o governo venezuelano pode esperar amparo político do Kremlin, mas não material:

— A Rússia vai apoiar Maduro até o fim, mas não tem muita capacidade de ajudar o país economicamente. O máximo que Caracas pode esperar é uma reestruturação da dívida que tem com Moscou e, no melhor dos casos, o perdão em troca de maior acesso para empresas russas.

No caso da China, a dívida venezuelana chega a US$ 65 bilhões. Se por um lado a cifra mostra como os laços comerciais entre os dois países se estreitaram nos últimos anos, por outro, indicam que o mercado chinês não é uma alternativa real para o petróleo venezuelano caso os EUA adotem sanções, já que a exportação para a China paga empréstimos já feitos. Pequim ainda não se pronunciou sobre a Constituinte, e provavelmente não o fará.

Sanções americanas, por sua vez, poderiam ter efeito inverso — embora o país só tenha até agora adotado punições contra autoridades, e não contra a economia. Os EUA são os principais compradores do petróleo venezuelano.

— Uma medida como essa só agravaria ainda mais a grave crise humanitária e poderia provocar um aumento dos preços do petróleo — advertiu Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano, ao “La Nación”.

Outro risco é que o endurecimento das sanções poderia causar uma outra crise humanitária: de refugiados.

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