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Artigo: O negociador Trump blefou na Casa Branca. E piscou

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Donald Trump foi eleito em grande parte sobre uma — e ruidosa — promessa: eu sei como fazer acordos que políticos normais não sabem. Parte dessa mística — como ressaltado em seu best-seller “A arte da negociação” — é a disposição a pagar para ver o blefe do rival, colocar suas cartas na mesa e pedir que todos os demais façam o mesmo.

Foi isso que fez na noite de quinta-feira, em seguida ao adiamento de uma planejada votação para começar o processo de reforma do Obamacare. Os republicanos da Câmara teriam de resistir ou calar a boca, Trump insistiu. Apesar de lhe dizerem que não havia votos suficientes, Trump continuou — argumentando que era agora ou nunca.

Foi o velho Trump em ação, fazendo uma aposta que nenhum outro político faria: forçar uma votação sobre uma parte maciça da sua agenda legislativa com resultado incerto. Aí Trump piscou.

Horas depois que Trump se encontrou com o presidente da Câmara, Paul Ryan, na Casa Branca, informou aos congressistas republicanos que retirassem o projeto de lei. Simplesmente não havia votos suficientes, e existia a possibilidade real de um constrangimento no plenário. Claro. Mas Trump foi eleito como um — alguém que concorria contra o sistema. Por que não forçar o sistema a declarar ou seu apoio ou sua oposição.

Agora começa o jogo de achar culpados. E há muitos disponíveis. A Casa Branca já estava começando a apontar o dedo para Ryan por tornar a reforma da Saúde a primeira prioridade legislativa da nova Washington sob controle republicano. Veteranos do partido sugeriam que não houve tempo suficiente para pensar na nova legislação antes que fosse proposta. Republicanos do establishment culparam o Freedom Caucus da Câmara por sua recusa a um compromisso.

Tudo verdade! Mas Trump é o presidente dos EUA. Ele concorreu como a única pessoa que poderia resolver os grandes problemas enfrentados pelo país. Foi Trump que se vendeu como o extraordinário negociador, o cara que havia encarado grupos corporativos em todo o país e no mundo — e vencido.

O que se deve ouvir nas próximas horas e dias é que Trump fez o que fez porque acordo nenhum acordo é melhor que um acordo ruim. O problema com este argumento é a trilha deixada pelo Twitter de Trump. Ontem, enquanto a Câmara se preparava para votar, ele tuitou que a legislação era uma grande chance para os republicanos cumprirem suas promessas de campanha — tachando o projeto de “um grande plano”.

Trump vai, como sempre, declarar vitória e seguir adiante. O fato real, entretanto, é que ele queria esse acordo, e fez pressão por esse acordo, blefou com seu próprio partido por esse acordo e então se afastou quando ficou aparente que o acordo não seria aprovado. O negociador Donald Trump blefou. Mas, perdeu a calma no último minuto.

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