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Artigo: Uma Casa Branca que nunca estará livre da confusão

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Com a saída chocantemente rápida de Anthony Scaramucci do cargo de diretor de Comunicações da Casa Branca após a posse de John Kelly como chefe de Gabinete, haverá uma tentação de acreditar que isso poderia ser uma correção de rumos para a Casa Branca — ou mesmo a mítica “guinada fundamental”.

Todos devem resistir a essa tentação. E devemos estar céticos de que ela represente muito mais do que o estilo de governo caótico do presidente Donald Trump, gerando mais um sinal conflitante sobre o que ele quer que sua Casa Branca e sua Presidência sejam.

Sim, Trump escolheu indiscutivelmente o primeiro alto conselheiro disciplinador e verdadeiramente franco em seus dois anos nos holofotes da política nacional. E, sim, Kelly parece ter imediatamente demonstrado alguma ordem ao se livrar de Scaramucci, que se envolveu numa diatribe agressiva contra seus novos colegas da Casa Branca na semana passada.

Mas vamos manter isso em contexto. Apenas sete dias antes de Trump contratar o general da reserva da Marinha para ajustar este navio com precisão e disciplina militar, trouxe a bordo a antítese de tudo isso: Scaramucci. Este era já bem conhecido como um impetuoso e implacável defensor de Trump, marcado por suas imprevisibilidades. O rótulo de “mini-eu de Trump” grudou com razão. Então, se Trump queria dar uma guinadapara uma postura presidencial com Kelly, aparentemente quis o mesmo para a anarquia uma semana antes.

E talvez de modo até mais ilustrativo, Trump pareceu aplaudir as táticas de terra arrasada e a vulgaridade de Scaramucci, apenas um dia antes de contratar Kelly. Quando Scaramucci convocou a CNN para sugerir que o chefe de Gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, era um vazador, fez isso imediatamente depois de falar com Trump, que ele disse ter autorizado a entrevista de última hora com tons de reality show.

“Acabei de passar uns 15 minutos no telefone falando com o presidente dos EUA, que me deu todo seu apoio e sua completa bênção”, assegurou Scaramucci.

E mesmo depois que Ryan Lizza, da “New Yorker“, publicou uma entrevista cheia de críticas injuriosas e sem papas na língua de Scaramucci contra Priebus e o principal assessor da Casa Branca, Steve Bannon, Trump parecia de bem com tudo isso.

Como relatou o “New York Times”, “Trump ficou inicialmente satisfeito com as duras observações de Scaramucci dirigidas a Priebus e Bannon. Mas durante o fim de semana, depois de falar com sua família e com Kelly, o presidente começou a ver as ações impetuosas de seu subordinado como um risco político e um potencial constrangimento”.

Então quase exatamente 24 horas depois da matéria de Lizza, a Casa Branca anunciou que Trump substituiu Priebus por Kelly. Realmente queremos acreditar que o presidente — a quem ninguém foi capaz de persuadir a fazer muita coisa na campanha ou nos primeiros seis meses no cargo — de repente viu a luz? Depois de dois anos de priorizando deixar Trump ser Trump, ele sofreu uma transformação política total em apenas um dia? Isso parece improvável, para não dizer insustentável.

Ou é mais provável que Trump reconhecesse que as coisas estavam indo mal — com o drama na equipe e a proposta de reforma de saúde fracassando todos de uma vez — e decidiu que precisava de uma mudança? Não é nenhum segredo que Trump ama generais, e ele tentou fazer com que Kelly assumisse no cargo muitas vezes antes. Kelly resistiu e parece ter conseguido concessões, incluindo o controle sobre toda a equipe. A demissão de Scaramucci é certamente um sinal de que a Casa Branca está tentando algo novo, por enquanto.

Mas se Trump nos mostrou qualquer coisa, é que a falta de drama o entedia e que as pessoas que tentam controlá-lo incomodam-no. Ele pode ter decidido que dará uma chance à disciplina, mas seu histórico sugere que essa estratégia poderia ser abandonada a qualquer momento.

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