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China é o modelo para mudanças na Coreia do Norte

O presidente Donald Trump pode ter prometido que a Coreia do Norte vai se tornar “muito rica” com investimento americano se Pyongyang desistir das armas nucleares, mas economistas e acadêmicos que estudam o país isolado dizem que a China, e não os EUA, será o motor de qualquer transformação.

O modelo mais próximo seria baseado não no capitalismo ao estilo americano, mas na economia de mercado controlada pelo Estado posta em prática pela primeira vez por Deng Xiaoping, que se tornou líder da China em 1978, segundo os especialistas. As mudanças foram maciças e o crescimento, fenomenal, mas mais importante, o Partido Comunista Chinês conseguiu tudo isso não somente retendo poder, e sim aumentando seu controle do país.

E na reta final da cúpula sem precedentes entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, é à China que Pyongyang vem cada vez mais recorrendo. Kim fez duas visitas para encontrar o presidente Xi Jinping desde março, enquanto uma delegação de alto nível de seu Partido dos Trabalhadores fez uma turnê de 11 dias pelos centros industriais da China em maio.

“Kim está conversando com Trump porque precisa fazer com que os EUA levantem as sanções. Depois disso, as manchete serão todas sobre Kim e Xi Jinping”, disse Jeon Kyong-man, economista do Instituto de Integração Coreana.

A China já é a mais importante aliada e maior parceira comercial da Coreia do Norte, representando mais de 90% do comércio de Pyongyang. O modelo de mudança da China de uma economia planejada para uma de mercado é atraente para Pyongyang porque foi realizado com estabilidade política, social e econômica, segundo Zhang Anyuan, economista-chefe da Dongxing Securities em Pequim.

Assim como a China, a Coreia do Norte pode olhar para outras economias em que controle rígido de cima para baixo foi mantido, incluindo o Vietnã ou até a estrutura de negócios dos “chaebols” da Coreia do Sul, o que poderia permitir uma “ditadura de capital”, segundo Adam Cathcart, especialista da Universidade de Leeds, Inglaterra.

Xi, sob pressão de Trump, começou a impor sanções para valer na segunda metade de 2017. Em março, havia seis meses que a China não importava minério de ferro, carvão e chumbo da Coreia do Norte, seguindo sanções da ONU. Isso afetou as indústrias pesadas norte-coreanas e outros setores manufatureiros, fortemente dependentes de carvão. Mas, mais importante, a queda no comércio com Pequim “matou a parte mais promissora da economia” — mercados não oficiais onde indivíduos e varejistas comercializam em sua maioria mercadorias chinesas e produtos agrícolas, diz Jeon.

Mesmo após as sanções serem levantadas, a Coreia do Norte provavelmente vai perseguir crescimento dirigido pelo Estado porque afrouxar os controles é potencialmente desestabilizador para Kim, diz Kim Byung-yeon, professor de Economia da Universidade Nacional de Seul.

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