BARCELONA — O governo central tenta agora conter o que considera uma “doutrinação” nas escolas catalãs. Ao menos 27 casos em vários centros educativos da região foram reportados ontem ao Departamento de Ensino da Generalitat (o governo catalão), segundo um documento de 11 páginas do Ministério da Educação, ao qual o jornal “El Mundo” teve acesso. No texto, o governo defende que “em um número importante de centros educativos são expostas Esteladas (a bandeira catalã) e cartazes de caráter político” e afirma que estuda ir aos tribunais.
De acordo com fontes do Ministério, a Generalitat não respondeu a nenhum dos dois avisos prévios — o prazo expirou na sexta-feira. O próximo passo é ir à Justiça. No último mês, teriam sido feitas 70 denúncias. Uma delas foi realizada pela mãe de uma aluna de uma escola pública infantil de Vall-Llobrega, em Barcelona, que revelou que uma das professoras explicou a sua filha que a “Espanha rouba a Catalunha”.
A mesma professora, segundo a mãe, fabricou urnas de papel durante uma aula e ensinou todos os alunos — entre 8 e 9 anos — a votarem pelo “Sim” à independência. Outra mãe, de uma adolescente de 16 anos, também denunciou que no Instituto de Ensino Can Vilumara, de Hospitalet de Llobregat, em Barcelona, uma professora comentou sobre a independência e disse que “os que falam em castelhano são mal-educados”.
