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May pode perder maioria no Parlamento na eleição, aponta pesquisa

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LONDRES - A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, poderia perder o controle do Parlamento com a eleição da próxima semana, dia 8, segundo uma projeção divulgada nesta quarta-feira pela empresa de pesquisa YouGov, aumentando a probabilidade de impasses políticos em meio às negociações formais de separação do país da União Europeia (Brexit). Os principais candidatos farão um debate televisionado nesta quarta-feira, com exceção da líder britânica, que decidiu não participar de nenhum deles durante nesta eleição antecipada.

Em contraste com as pesquisas de opinião realizadas que até semana passada mostravam May a caminho de uma grande vitória, os dados do YouGov mostram que ela poderia perder 21 cadeiras e os trabalhistas conquistar 30 no Parlamento, números que abririam o caminho para um governo de coalizão da oposição.

Segundo a projeção, os conservadores ganhariam 310 vagas, ante as 331 garantidas por seu antecessor David Cameron na eleição de 2015. Já o Partido Trabalhista conquistaria 257 assentos, frente aos 232 obtidos anterior. Legendas menores, incluindo o Partido Nacional Escocês (SNP) e os partidos norte-irlandeses, poderiam obter 83 assentos, de acordo com a pesquisa, que entrevistou 50 mil pessoas em uma semana.

Caso o resultado do YouGov se concretize, May estaria bem abaixo dos 326 assentos necessários para formar governo em junho, quando as negociações do Brexit começam. A primeira-ministra convocou eleição antecipadamente em uma tentativa de se fortalecer no processo, ganhar mais tempo para lidar com o impacto da separação e consolidar sua posição no Partido Conservador.

As pesquisas de opinião de voto mais recentes têm indicado que a vantagem de May tem caído desde que seu partido anunciou, em 18 de maio, planos de fazer a parcela mais idosa da população arcar com uma maior participação sobre seus custos, uma medida chamada de “imposto da demência” pelos opositores. As sondagens têm apresentado um cenário complicado em torno da opinião pública, com as intenções de voto sendo influenciadas pelo ataque de Manchester e pelas propostas sociais impopulares de May.

A média das últimas oito pesquisas elaborada pelo jornal The Daily Telegraph é um pouco mais tranquilizadora para os conservadores, que aparecem com 44% das intenções de voto, contra 36% para os trabalhistas, 8% para os liberal-democratas e 5% para o Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP).

Outras projeções mostram May com uma vitória vantajosa. O site Electoral Calculus, que compila resultados com base em pesquisas e dados demográficos, estima que May poderia obter 371 assentos, e o Partido Trabalhista, 205.

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhador, vai enfrentar a secretária de Estado, Amber Rudd, que representará o Partido Conservador, já que May decidiu não participar de debates. Tim Farron, do Liberal Democrata; Paul Nuttall, da legenda antieuropeia Ukip; Angus Robertson, do SNP; Caroline Lucas, do Partido Verde e Leanne Wood do Plaid Cymru também estarão presentes.

Com sua vantagem supostamente em queda, May elevou nas últimas horas o tom dos ataques ao trabalhista Jeremy Corbyn. Nesta quarta-feira, durante uma visita a Plymouth, sudoeste da Inglaterra, a primeira-ministra insistiu no contraste entre ela e Corbyn. O país tem que decidir "quem prefere ver como primeiro-ministro conduzindo o país para o futuro, eu ou Jeremy Corbyn", disse:

— Tenho um plano para as negociações do Brexit, mas também para construir um Reino Unido mais forte e próspero — concluiu.

Utilizando uma figura de linguagem que causou perplexidade, May mencionou em comício na terça-feira a ameaça, para o Reino Unido, de um Corbyn "nu e sozinho na sala de negociações da União Europeia".

— Já sei que não é uma imagem agradável de imaginar — completou a primeira-ministro em meio aos murmúrios nervosos do público. — Corbyn não está preparado para estas negociações. Eu, sim.

Questionado sobre as declarações de May, o veterano Corbyn se limitou a considerá-las inapropriadas:

— Eu não usaria esta linguagem, acredito que é totalmente inapropriada.

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