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‘Medo está presente permanentemente’, diz prefeito opositor venezuelano

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BUENOS AIRES — Carlos Ocariz, prefeito da cidade venezuelana de Sucre, foi para os Estados Unidos, onde seu filho faz um tratamento contra o câncer. Ele teme pela sua segurança, uma vez que faz parte da oposição ao governo de Nicolás Maudro. No entanto, garante que não está fugindo e pretende voltar e lutar por eleições no seu país.

Existem rumores de que o senhor fugiu, como outros prefeitos...

Não fugi, estou no aeroporto esperando para embarcar. Tenho um filho que mora nos EUA e está fazendo tratamento para curar-se de um câncer. Tenho toda a intenção de retornar na próxima terça-feira.

Qual é a situação dos prefeitos atualmente?

Dos 77 prefeitos opositores, pelo menos 48 somos alvo de processos no Tribunal Supremo (TSJ). Onze já foram destituídos, presos ou estão exilados. Somos políticos com alta popularidade e não temos imunidade. É mais fácil nos perseguir do que perseguir deputados. Estamos sendo também asfixiados economicamente. O governo federal aumenta os salários dos servidores em governos estaduais e prefeituras chavistas, mas no nosso caso não envia os recursos necessários.

Por quanto tempo vocês conseguirão resistir?

Não sei, mas uma coisa deve ficar clara: podem prender todos os prefeitos, mas o povo continuará protestando. Defendemos uma luta pacífica, jamais impulsionamos atos violentos.

O TSJ os acusa exatamente de promover a violência e não garantir a livre circulação ao permitir barricadas...

Pessoalmente, sempre me opus às barricadas. Não ajudam em nossa luta. Há setores radicalizados em ambos os lados desta disputa. Os prefeitos não têm controle das ruas, e sim a Guarda Nacional e a Polícia Nacional. Não podem nos culpar por violência e barricadas. E a Constituição garante o direito de protestar.

O senhor quer a oposição nas eleições regionais?

Temos de participar em todos os cenários: internacional, ruas e também eleitoral. Se entregarmos as eleições ao governo, estaremos fazendo um favor a Nicolás Maduro.

Os candidatos poderiam ser perseguidos?

Todos estamos correndo riscos. O próprio governo disse que a nova Comissão da Verdade da Assembleia Constituinte será usada para perseguir opositores. Aprendemos a conviver com o medo. Ele está presente permanentemente em nossas vidas.

O senhor conversa com os outros prefeitos?

Sim. Mas nunca pergunto onde estão.

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