BRASÍLIA - A ativista Lilian Tintori, mulher do político venezuelano Leopoldo López, que está preso desde 2014, se reunirá nesta tarde com o presidente brasileiro Michel Temer no Palácio do Planalto para pedir um pronunciamento “contundente” sobre a crise. Lilian afirmou em entrevista ao GLOBO na manhã desta quinta-feira que somente eleições gerais serão capazes de solucionar a crise na Venezuela.
Ela conseguiu encontrar o marido na prisão nesse domingo depois de 35 dias em que as visitas foram suspensas. Lilian afirma que Leopoldo está bem e orgulhoso dos protestos que vem sendo realizados na Venezuela desde 4 de abril de forma ininterrupta.
O gesto de Temer de receber a ativista é tido pelo governo brasileiro como um recado ao governo Maduro. Lilian, porém, espera que o Brasil faça pressão pela realização de eleições na Venezuela.
— Espero que (o presidente Temer) se pronuncie de forma contundente. Espero que os países de toda a região, começando hoje pelo Brasil, sejam muito forte em suas declarações e para pressionar Nicolás Maduro. Não queremos mais ditadura, não queremos mais repressão, não queremos mais mortes, não queremos mais feridos, queremos soluções imediatas para o problema da Venezuela e a solução é eleições gerais para presidente, governadores e prefeitos — afirmou a ativista.
Lilian afirma que as tentativas de diálogo da oposição com o governo fracassaram devido a medidas tomadas pela gestão Maduro que retiraram poderes da Assembleia Nacional, que é dominada pela oposição, e pelo anúncio de convocação de uma constituinte que teria parte dos componentes escolhidos por sindicatos, controlados por Maduro, e não por voto direto.
— O diálogo na Venezuela fracassou. E fracassou por culpa de Maduro. Ele não quer dialogar. É um ditador. Não queremos diálogo. Venezuela não quer mais conversas, Venezuela quer solução imediata. Não podemos esperar mais — disse.
A ativista relatou ainda como foi a visita ao marido depois de 35 dias sem vê-lo ou ter notícias suas. No período, houve especulação de que Leopoldo tivesse passado por sérios problemas de saúde, o que não teria ocorrido de fato.
— Depois de muita pressão e protestos entramos depois de 35 dias sem vê-lo, sem falar com ele. O abracei, está forte, está bem e nos pede para seguir lutando, seguir na rua lutando por nossos direitos e por nossa liberdade. Ele está orgulhoso do povo venezuelano e rechaçou a repressão de Maduro, que está na rua disparando contra estudantes e assassinando o povo venezuelano. Leopoldo segue firme na prisão, segue resistindo, e nós seguimos resistindo na rua, em nível institucional e em nível internacional e com o povo — afirmou Lilian.

