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Relatório de peritos aponta que procurador argentino foi morto

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BUENOS AIRES - Mais de dois anos e oito meses após a misteriosa morte do procurador argentino Alberto Nisman, cujo corpo foi encontrado no banheiro de seu apartamento em 18 de janeiro de 2015, um novo e contundente relatório determinou que o homem que acusara a então presidente Cristina Kirchner de selar um pacto secreto com o Irã foi assassinado por duas pessoas. O documento, que foi elaborado por 24 peritos da Gendarmeria (força de segurança nacional) a pedido da Justiça e será entregue hoje ao juiz Julián Ercolini, confirma a tese sustentada pela família de Nisman. A hipótese de suicídio, levantada no começo das investigações por outros procuradores, será, provavelmente, descartada pelos tribunais.

No documento, de mais de 200 páginas e ao qual tiveram acesso alguns meios de comunicação, os peritos da Gendarmeria explicam por que Nisman foi vítima de homicídio e, também, as manobras realizadas pelos assassinos para tentar simular suicídio.

A morte do procurador ocorreu poucos dias após ele ter feito uma denúncia pública contra Cristina, por ela supostamente ter entrado em entendimento com o Irã para acobertar ex-funcionários iranianos envolvidos no atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, que matou 85 pessoas. Nisman pretendia ir ao Congresso explicar a acusação contra Cristina, mas morreu dias antes.

Ontem, o relatório da Gendarmeria transformou-se no principal assunto da campanha para as eleições legislativas de 22 de outubro. A candidata a deputada Elisa Carrió, aliada do presidente Mauricio Macri, assegurou que “Nisman foi assassinado pelo governo de Cristina Kirchner”. Já a ex-chefe de Estado, candidata a senadora pelo partido Unidade Cidadã, acusou a Casa Rosada de usar o caso Nisman para desviar a atenção do desaparecimento do jovem ativista Santiago Maldonado, visto pela última vez há mais de um mês e meio na província de Chubut, ao participar de protestos junto a grupos mapuches.

— Devemos ser superprudentes — declarou o chefe de Gabinete, Marcos Peña.

Já o deputado Waldo Wolff, da aliança governista, que era amigo do procurador, afirmou que “o governo de Cristina Kirchner tem a responsabilidade política pela morte de Nisman”.

O relatório aumentou as suspeitas sobre Diego Lagomarsino, um ex-colaborador de Nisman e a última pessoa que o viu vivo no apartamento do bairro portenho de Puerto Madero.

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