Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - O Brasil, maior produtor e exportador global de café, deverá ter uma safra recorde de 75,3 milhões de sacas de 60 kg na temporada 2026/27, um crescimento de 20,8% em relação à temporada passada, com impulso da produtividade das lavouras de arábica, estimou nesta quinta-feira a consultoria e corretora StoneX.
O número apontou uma revisão para cima de 6,5% em relação à projeção preliminar divulgada em novembro, logo após as floradas, com melhora na expectativa de produção das variedades arábica e canéforas (robusta e conilon).
A grande colheita do país, que deve começar no próximo mês pelos grãos canéforas, deverá colaborar para reconstruir os estoques globais, após safras abaixo do potencial nos últimos anos.
"A safra 2025/26 foi fortemente impactada por condições climáticas adversas. Já a safra 2026/27 apresenta recuperação em relação ao ciclo anterior. No entanto, esse potencial poderia ser ainda maior, pois o clima não foi totalmente favorável durante o período de florada", afirmou Leonardo Rossetti, especialista em Inteligência de Mercado da StoneX.
Ele lembrou em relatório que o atraso e a má distribuição das chuvas provocaram abortamento de flores e reduziram o número de frutos por roseta, efeito observado em todas as regiões produtoras de arábica. Mas, depois, as precipitações favoráveis ajudaram no aumento da produção.
"Na segunda visita a campo da StoneX, parte dessas lavouras apresentou melhor pegamento do que o inicialmente estimado. Assim, houve revisão positiva dos números em todas as regiões monitoradas", disse.
O analista disse que resultado da produção brasileira é decorrente também do aumento de áreas cultivadas nos últimos anos, que agora entram em produção, somado ao avanço tecnológico e melhoramento genético, depois de um período de preços elevados.
A produção de arábica, que responde pela maior parte da produção nacional, terá um aumento anual de 37,5%, superando pela primeira vez o patamar de 50 milhões de sacas (50,2 milhões), ante 47,2 milhões de sacas na previsão de novembro.
No caso dos canéforas, a StoneX projeta uma queda de 2,8% na produção, após um recorde no ciclo passado. Ainda assim, a colheita deverá superar 25 milhões de sacas, ante 23,5 milhões na previsão de novembro.
Além do aumento de área, houve também um avanço "significativo" em tecnologia e no uso de materiais genéticos mais produtivos. "No conjunto -- genética, tecnologia e expansão do parque cafeeiro -- observamos um salto relevante na produção no Brasil nos últimos cinco anos", disse Rossetti, ao comentar o cenário para os canéforas.
Em 2021/22, o Brasil produziu 20 milhões de sacas do canéfora e 33,7 milhões de sacas do arábica.
Na soma das duas variedades, o aumento em cinco anos supera 20 milhões de sacas, volume este maior do que toda a safra anual da Colômbia, o terceiro produtor global de café.
(Por Roberto Samora)

