CARACAS - A situação política conturbada na Venezuela se reflete cada vez mais na deterioração econômica do país. O governo do presidente Nicolás Maduro é acusado desta vez de não pagar a remuneração dos funcionários da Assembleia Nacional. O Sinfucan, sindicato venezuelano que representa a categoria, denunciou que o governo do presidente Nicolás Maduro deve quatro meses de salário e benefícios aos trabalhadores do Congresso. Diante da piora no cenário político-econômico, a pressão sobre Maduro cresceu ainda mais após o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, defender ontem a implementação de possíveis sanções contra a gestão do chefe de Estado.
A organização enviou na noite de quinta-feira um comunicado ao ministro da Economia, o ex-deputado Ramón Lobo, e aos representantes do Escritório Nacional de Orçamento (Onapre) para que quitem a dívida e não “continuem brincando com a saúde dos trabalhadores da Assembleia Nacional e suas famílias”.
O Sinfucan publicou no Twitter uma imagem que mostra a nota que foi enviada. No texto, os sindicalistas detalham que a dívida é referente aos meses de fevereiro, março, abril e maio. Além do salário, os trabalhadores estão sem receber a apólice do seguro-saúde e outros benefícios contratuais. O Sinfucan sustenta que a ausência do pagamento é um desacato à sentença do Tribunal Supremo de Justiça que ordenou que o Executivo pagasse oportunamente a remuneração. O pagamento ficou a cargo do Onapre.
“ O Executivo Nacional reconhece que não pagou nossa apólice e os demais benefícios contratuais, violentando e desacatando uma sentença da Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça, prejudicando os trabalhadores da Assembleia Nacional, por um conflito de poderes com o qual nada temos a ver”, critica o sindicato.
Em carta dirigida ao Conselho Europeu e à Comissão Europeia, Tajani pediu aos deputados do Parlamento Europeu que considerassem “com rapidez” a implementação de sanções contra pessoas do entorno de Maduro, diante da “deterioração” da situação da Venezuela.
“Eu os convido a considerar rapidamente possíveis medidas concentradas em pessoas específicas do entorno do presidente Maduro e seu governo”, indicou Tajani no documento.
Ele destaca que a situação na Venezuela tem piorado e que se desenvolve uma “crise política, econômica, social e humanitária sem precedentes no país”, com escassez de produtos básicos como alimentos ou remédios que “afetam toda a população, especialmente crianças”. Ele também fez referência à escalada da violência nos protestos populares nos últimos dois meses, em que 60 pessoas já morreram, centenas ficaram feridas e milhares presas.
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, se reuniu essa semana com eurodeputados da Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu, com a intenção de conquistar apoio contra a convocação de uma Assembleia Constituinte no país latino-americano.

