RIO — O bairro do , na , esteve sofrendo com o esvaziamento imobiliário e o aumento da sensação de insegurança nas ruas. Mas os problemas da região nos últimos meses não impediram que uma turma festeira enxergasse a área com bons olhos e levasse atrações culturais a endereços que estavam sendo pouco valorizados.
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O , um espaço de co-working que também aluga sua área de 7.200m² para festas e shows, é um exemplo desse investimento na área. Instalado ao lado da praça que batiza o bairro, em um ano o empreendimento já levou cerca de cem mil pessoas para curtirem eventos no local. O engenheiro civil Leandro André, um dos sócios do negócio com mais dois amigos, tem se surpreendido com o potencial da região.
— Vimos que o bairro está mudando, em um processo parecido com o que houve na . Temos um planejamento para três anos, inicialmente, bastante focado no entretenimento. Este é o primeiro vetor para trazer mais gente, pois as pessoas saem com uma imagem muito positiva da região, pensando “não sabia que Santo Cristo estava assim”.
Organizador de eventos e morador de São Conrado, Bruno Paes quer levar shows internacionais para o espaço. Apresentações de , e já estão confirmadas. O objetivo é fazer com que o bairro também vire sinônimo de efervescência cultural noturna:
— Quando começamos com isso, surgiram outros promotores de eventos que também passaram a olhar mais para a região. O Rio tem essa característica de realização de eventos mistos, com festas e shows. No meu caso, eu promovo mais shows, mas o carioca curte muito esse formato.
E curte mesmo. Ao lado do Hub, o Passeio Ernesto Nazareth é o local do Festival de Ativação Urbana (FAU), que ocorre lá mensalmente. Logo em frente ao espaço — inaugurado em 2016, inspirado nos parques públicos de Barcelona —, os terraços dos hotéis Novotel Porto Atlântico e Hotel Intercity Porto Maravilha estão sendo usados para festas que acontecem de vez em quando: começam sempre nas tardes de sábado e seguem pela madrugada.
Até quem não tem sede própria costuma se instalar provisoriamente no Santo Cristo. Coletivos como o O/NDA e o Heavy Baile organizam eventos em espaços abertos e em quadras como a do bloco Fala Meu Louro e a da escola de samba Vizinha Faladeira.
Tendo apenas o céu por testemunha, a Rua Sara, onde fica a Fábrica da Bhering e o Bar do Omar, também já serviu de palco para festas. Mas foi o galpão Porto Lab que transformou a diversão ao ar livre em um filão no bairro. O espaço é resultado da união de algumas produções culturais da cidade, como a Manie Dansante, que estavam em busca de novos endereços.
A ideia de quem investe na área é desfazer a visão de que o Santo Cristo é um bairro somente de passagem.
— Isso ocorre devido à proximidade com a rodoviária. O bairro serve de passagem, mas é justamente essa localização que potencializa as atividades desenvolvidas na região. Nos preocupamos em manter sempre o diálogo aberto com os moradores, e a relação é bem positiva. Inclusive, alguns dos nossos colaboradores moram no bairro e são diretamente beneficiados pelas atividades — disse Vinicius Tesfon, DJ da Manie Dansante.
Produtor e DJ, Diogo Reis viu como a Zona Portuária ficou em alta durante a Olimpíada. Na época, ele levou sua festa Moo para a Praça da Harmonia, na Gamboa. Hoje, Diogo sente que toda a região ainda é subutilizada, mas cita o Galpão Gamboa, da mesma equipe do Reduto, em Botafogo, como um exemplo de resistência colado à Cidade do Samba e cercado de prédios abandonados, degradados ou largados pela metade.
— Festas em lugares como esse dão até um clima parecido com aqueles filmes apocalípticos, em que a humanidade desapareceu e só restaram algumas pessoas no mundo — compara o DJ.

