A abstenção, ou eleitores que deixam de votar no Amazonas costuma ser alta. Em 2010 alcançou 20%, ou 406 mil, dos 2,02 milhões de eleitores aptos no Estado, a maior parte do interior. No Amazonas as dificuldades para o ribeirinho que mora longe se deslocar até a seção, que às vezes fica na sede do município, são grandes. O transporte de eleitores, por candidatos, proibido pela Justiça Eleitoral, acaba sendo a única chance de votar.
O candidato que consegue burlar a fiscalização, geralmente falha, se dá bem, mas a concorrência, que usa do mesmo expediente, está sempre disposta a fazer boicotes. Como na história do “caboco” que, prevenido, embarcou no motor que ia levar os eleitores do seu candidato a prefeito com a rede embaixo do braço. Aproveitou pra tomar umas “doses” de pinga de graça, “merendou”, depois armou sua rede e deitou pra tirar um “cochilo”. No meio do lago o barco ficou no “prego” de combustível e começou grande falatório.
O sujeito acordou ainda atordoado pela cachaça: “O que foi, tão roubando o nosso candidato?” – Alguém respondeu: “Acho que tão. Começaram roubando o combustol do motor, pra gente não poder votar”.
COMPRA DE VOTOS
O deputado Luiz Castro apelou ontem para “que não haja boca de urna, que não haja compra de votos, que seja uma eleição limpa”. Foi um apelo talvez para o futuro... Depois, fez um agradecimento de “despedida” ao colega Marcelo Ramos, candidato a governador, “que me acompanhou durante esses anos nesta pequena, mas brava oposição”.
OUVIRAM PROMESSAS, ACREDITARAM NELAS...
A propaganda eleitoral chegou ao fim. Nas ruas a campanha ainda continua até a noite de sábado. Mas enquanto estes últimos dias são decisivos para quem tem chance de vencer, para muitos é a despedida antecipada de um sonho que não se realizará agora. São os combatentes que ficam pelo caminho, sem votos para se eleger e sem recursos para ir até o fim. Ouviram muitas promessas, acreditaram e agora apenas se queixam.
TEMER APONTA OS ERROS DE MARINA
Do alto de sua experiência em várias eleições, o vice-presidente Michel Temer definiu ontem a “queda” da adversária Marina Silva nas últimas semanas: a ex-senadora desconstruiu-se em decorrência das suas próprias incoerências. O eleitor brasileiro percebeu, começou a duvidar e o resultado são índices cada vez menores nas pesquisas. “Acho que em matéria política uma certa coerência é importante”, disse.
JUNTA PARA INFRAÇÕES ELEITORAIS MENORES
A presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargadora Socorro Guedes, designou as magistradas Themis Catunda de Souza Lourenço, Irlena Leal Benchimol e Patrícia Chacon de Oliveira Loureiro para comporem a Junta de Juizado Eleitoral Especial Criminal, com competência para processar e julgar as infrações penais eleitorais com pena máxima de até 2 anos.
UNIVERSITÁRIOS NA TRANSMISSÃO
Resolução do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas determina que a transmissão dos dados dos arquivos de votação deve ser imediata, tão logo seja encerrada a votação. Estudantes da Universidade do Estado do Amazonas, em Manaus, e da empresa Grupo Atlântica, em locais de difícil acesso, na zona rural, estão incumbidos de transmitir o material.
BUROCRATIZOU PARA O BEM
Em Manacapuru, a promotora eleitoral Aurely de Freitas está de olho na distribuição de combustível e editou portaria com procedimentos a serem cumpridos por partidos e coligações, como enviar listagem de colaboradores e veículos que estejam trabalhando na eleição ao MPE e, ao emitir requisição ou vale-combustível colocar nome, CPF e placa do veículo beneficiário, além de nome e CPF do quem emitiu. Burocratizou para o bem: vai sobrar combustível.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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