Apesar de decisão judicial para a retirada dos manifestantes que acampam em frente ao Comando Militar da Amazônia, eles permanecem no local. E permanecem porque o Exército não se importa com a presença deles. Se incomodam os que residem em prédios vizinhos ou atrapalham de certa forma o trânsito, não parecem importunar os militares que levam uma relação conciliadora, amigável com eles.
É razoável pensar que essa relação amistosa potencializa os protestos e que os interesses dos militares e dos manifestantes se revelam comuns.
Isso é grave porque o Exército é uma força que tem a responsabilidade de garantir a lei e a ordem dos poderes institucionais, entre outras atribuições.
Então, caberia ao Comando Militar da Amazônia - embora não tenha sido dirigida ao comandante a medida - a iniciativa de, em nome da lei e da ordem, retirar os manifestantes, corroborando assim para o cumprimento da decisão judicial em sua plenitude.
Mas a questão é mais grave e extrapola o caso em si mesmo. A sociedade está dividida. Os que permaneciam na bolha das redes sociais, protestando ou atiçando protestos, agora estão mostrando a cara, independentemente de se misturarem aos manifestantes que se concentram em frente aos comandos militares.
Há erros recorrentes do sistema de justiça no trato de questões que denominou de “atos antidemocráticos” e uma apatia de um Legislativo medroso, incapaz de atuar como mediador de uma crise que não parece ter fim.
A aposta de que esses movimentos encolherão e desaparecerão é precipitada. Pela simples razão de que há uma parcela expressiva da sociedade que não se manifesta publicamente, mas olha com espanto ações açodadas do Judiciário.
Para esse grupo, expressivo, a maior ameaça à democracia não é contestar uma eleição, mas a forma como protestos pacíficos são reprimidos. E tem lá suas razões.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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