Os protestos contra o governo eleito teriam uma cadeia de comando? De onde partiria e onde estão os envolvidos no suposto financiamento do movimento? Essa é uma questão que vem tirando o sono das autoridades porque as manifestações continuam, em ritmo lento, é verdade, mas parecem em parte espontâneas. Em que medida são antidemocráticas?
Essa é outra questão cuja resposta não pode ser dada sem confrontar com o conceito de democracia - que, se é o regime das liberdades, é também o de aturar os descontentes.
O conceito de atos antidemocráticos é coisa nova. Parte de uma ideia autoritária de que na democracia descontentamentos não podem ou não devem ser tolerados. E, por mais contraditório que pareça, é facistoide, à medida que toda manifestação é desqualificada de seu caráter democrático.
Democracias como a nossa, ainda em formação, produzem essas dualidades, com naturezas e princípios distintos, mas que se mesclam numa mistura heterogênea no mesmo espaço produzindo todo esse mal estar, todo esse desarranjo institucional pelo qual País está passando.
Em democracia maduras, consolidadas, a mistura é homogênea, ao prevalecer a tolerância, o diálogo, o compromisso com valores fundamentais, como a liberdade - que no Brasil vem sendo gradativamente suprimida.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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