O apoio do ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ao presidente Bolsonaro no segundo turno, assim como o do ex-ministro Sérgio Moro, o primeiro eleito deputado federal pelo Paraná, e o segundo como senador, revela que a operação que resultou na descoberta de um poderoso esquema de corrupção nas estatais brasileiras e conluios do governo petista com construtoras não era um projeto de país civilizado, mas de poder político.
A Lava Jato produziu o mesmo Bolsonaro que Deltan diz apoiar contra a corrupção que Lula representa, ignorando que o atual presidente surfou na mesma lama, emparedou as instituições, sequestrou a Procuradoria Geral da República e transformou a Câmara dos Deputados num puxadinho do Palácio do Planalto, gestando um orçamento secreto tão nebuloso que no futuro deve resultar na descoberta de esquemas de corrupção, com políticos recebendo comissões de prefeitos em troca de emendas destinadas aos municípios. Deltan fará parte desse esquema como deputado federal ou abdicará dele em nome de uma ética que ele afirma defender?
A Lava Jato foi importante até que a vaidade subisse na cabeça dos procuradores e o limite que separa quem denuncia de quem julga fosse rompido. Essa é a razão por que processos contra Lula foram anulados. Fora outros procedimentos, como o inexplicável acordo com a Petrobras para destinar R$ 3 bilhões para os procuradores criarem uma fundação de direito privado para combater a corrupção. Dinheiro público, que de certa forma seria privatizado. Dinheiro da corrupção para um fim duvidoso.
Negar que a Lava Jato fez Bolsonaro é impossível. Ou Sérgio Moro não teria vazado áudios de Lula e Dilma para, claramente, beneficiar Bolsonaro. E mais: por que Moro aceitou ser ministro de um governo com o qual ele romperia logo depois?
Claro que Lula não é a melhor opção para o País. Nem Bolsonaro. Deltan ficaria melhor numa posição neutra. Aí sim, poderia ajudar no nascimento de uma nova Lava Jato.
Quando toma partido por um candidato, cai no mais do mesmo de todos os políticos, rasgando sua biografia que aliás lhe rendeu tantos votos. Lamentável!
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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