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O valor de um nome: Amazonino

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Por Coluna do Holanda
03/10/2022 02h38 — em Coluna do Holanda

Entrevistei Amazonino Mendes há cinco anos. Ele contou a história de sua vida. A desilusão com os “amigos de ocasião” e a política, feita de traições. (Mas também falou da infância, das aventuras como menino nos beiradões dos rios Juruá e Tarauace na sua Eirunepé).

Era um tempo de recolhimento. A política, para ele, tinha se tornado coisa do passado: “ nunca mai s ”, disse-me, sem perceber que havia feito história, que era contada de pai para filhos  e que a política é um vírus. “ Nunca mais ”, repetiu. Mas um ano depois lá  estava Amazonino de volta, disputando eleição. Depois repetiu: “ nunca mais!".   E de novo voltou à politica. Sentia que faltava liga entre a nova geração de políticos com o povo. Faltava espalhar esperança, construir sonhos. E faltava, para ele, concluir uma obra, sem dizer qual.

Naquele dia da entrevista perguntei-lhe sobre amores e ele falou sobre Tarsila, a mulher que amou e que partiu deixando uma saudade que não se apagava e um perfume que ele ainda sentia. De repente pareceu perdido em lembranças que não revelou.

A entrevista foi feita no pátio de sua casa, cercada por árvores que balançavam ao vento e falavam uma linguagem que ele parece entender, trazendo recordações que eu despertara com perguntas indiscretas.

A entrevista ficou pela metade. Combinamos um novo encontro. Que não aconteceu.

Ao entrar na disputa pela governo, ignorando o seu “ nunca mais ”, Amazonino estava otimista.  Mas os amigos de outrora haviam desaparecido. Os apoios minguaram. Então fez uma aposta. O seu nome, que se transformara em uma lenda, estava no imaginário das pessoas e a história de seus governos era passada de pais para filhos.

Quando as urnas abriram estava sendo medido o valor de um nome com as moedas dos adversários. Amazonino valia pela legado que ele deixou em seus vários governos e seu valor é moral: 349 mil almas digitaram seu nome nas urnas. Não foi suficiente para levá-lo a disputar o segundo turno, mas foi uma vitória - a consagração de um homem que vale pelo nome que tem.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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