Institutos de Pesquisa são máquinas poderosas que vicejam como insetos num País onde tudo tem um preço. Quando pesquisas pouco profissionais são divulgadas e chanceladas pela Justiça Eleitoral, o próprio sistema de justiça viola, indiretamente, um princípio básico da democracia - o de não interferir na liberdade de escolha dos eleitores.
A eleição deste domingo tem atores coadjuvantes cuja importância vem dominando os noticiários: os institutos de pesquisa. Se os números que sairem das urnas forem inferiores à margem de erro que eles indicam, com cenários adversos aos apresentados, então terá chegado a hora de restringir seu papel em ano eleitoral. Se acertarem, não se discute que estão a serviço da sociedade e não de partidos ou grandes corporações com interesse no resultado das eleições.
É evidente que as pesquisas influenciam os eleitores. Os institutos são máquinas poderosas que vicejam como insetos num país onde tudo tem um preço. Mas a democracia é fundada na verdade. Sem a verdade a democracia não existe. Torna-se uma mentira, uma farsa - como a que o Brasil vive atualmente - com os poderes em desequilíbrio e à beira de um colapso.
Numa eleição como a deste domingo o que está em jogo é o interesse da sociedade. Quando uma pesquisa pouco profissional é divulgada e chancelada pela Justiça Eleitoral, o próprio sistema de justiça viola um princípio básico da democracia - o de não interferir na liberdade de escolha dos eleitores. Porque uma pesquisa tem o poder de mudar convicções, de alterar opiniões. E esse poder toma dimensões ainda maiores pela divulgação que os meios de comunicação conferem, muitas vezes simplesmente para ganhar audiência ou favorecer um candidato que não ameace seus interesses.
No Amazonas está em jogo exatamente isso. Se as pesquisas estão corretas ao indicarem um crescimento acelerado de Eduardo Braga nas últimas horas, supostamente ameaçando a vaga de Amazonino Mendes no segundo turno contra Wilson Lima - este praticamente com vaga garantida.
A nível de Brasil, o caso Bolsonaro X Lula. Se por razões que só o eleitor conhece, Lula obtiver cerca de 46 % dos votos válidos e Bolsonaro encostar nele, então o País vai mal. E ficará muito difícil dizer onde estão os golpistas: se entre os grandes conglomerados de comunicação, ou na direita, no centro ou na esquerda. Mas seria a prova mais contundente de que as instituições adoeceram . De que todos pensam dar o golpe à sua maneira.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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