Pesquisas divulgadas oficialmente neste segundo turno no Amazonas revelam um progressivo distanciamento do governador Wilson Lima do senador Eduardo Braga (MDB), com avanços de Wilson no interior e na capital. É um cenário que o senador não aceita ou não acredita. Mas é fato que alguns prefeitos que o apoiaram no primeiro turno mudaram de lado e isso impacta no processo de desidratação continuada de sua candidatura.
O erro não está nas pesquisas, que o senador ataca e tenta censurar recorrendo ao Tribunal Regional Eleitoral, mas em uma estratégia equivocada de campanha, fundada em fugas de problemas que o candidato deveria enfrentar.
Por exemplo, Braga caiu na armadilha da energia elétrica e não soube sair dela. É fato que é acionista da Eletrobrás e com interesses legítimos nos dividendos da empresa. Não investe quem não quer ter lucro.
Braga erra ao tentar vender para o eleitor que os medidores externos de energia não serão instalados. É um claro estelionato eleitoral (porque promete o que não poderá entregar), ao tempo que incentiva a violência, ao incitar a população a “reagir” contra funcionários da concessionária de energia que operem ou venham a operar a instalação dos medidores.
Como acionista da Eletrobrás, o senador foi um dos beneficiários do pagamento de dividendos no mês de setembro, algo em torno de R$ 1,3 bilhão, montante dividido entre todos os investidores. Braga é um deles, e contribuiria muito para a sua biografia se revelasse quantas ações da estatal possui e o valor recebido em setembro.
Verdade é o que o eleitor quer. Não é crime ser acionista de uma empresa. Crime é vender o que não pode ser entregue.
A expectativa geral é que o senador engate uma marcha leve, mas veloz, uma terceira ou quarta para reduzir a vantagem que seu adversário vai administrando sem muito esforço. E não é difícil “avançar”. Basta ser um pouquinho leve, um pouquinho comedido. Humildade faz bem e gera empatia…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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