Você pode pensar que o apoio de Arthur, que teve pouco mais de 170 mil votos em 2 de outubro, tem pouca relevância. Não é verdade. Arthur ainda é um nome de peso. Tem história.Tudo o que muitos políticos não têm e que ele precisa preservar como seu tesouro pessoal.
O apoio do ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgilio, a Jair Bolsonaro neste segundo turno surpreendeu pela forma agressiva com que atacou o presidente ao longo do atual mandato, ao tachá-lo de “farsante”, “falastrão”, “inconsequente”, "fã de torturador”, “despreparado”, “populista barato de extrema direita”, “vingativo”, “ardiloso e desleal”. O que mudou em Bolsonaro? Nada. Mas mudou a opinião de Arthur, que agora vê virtudes que Bolsonaro não tem.
Arthur tem o direito de apoiar quem ele quiser, mas não pode conspurcar a própria biografia. O ex-prefeito foi uma importante voz no Legislativo Federal contra a ditadura e contribuiu para um novo tempo, com democracia - agora ameaçada; com liberdade de expressão (agora ameaçada) e com respeito à separação de Poderes (agora com seus pesos e contrapesos degradados).
Durante a pandemia de covid 19, Arthur fez uma série de denúncias contra o presidente e agora aliado:”Acho que ele é corresponsável (pelo morticínio), sim. Se ele fez as pessoas irem para a rua e a maior defesa é o isolamento social, ele colaborou para entupir hospitais, para a morte de pessoas.”
Repito: Arthur tem o direito de apoiar quem ele quiser, mas não pode passar de acusador para defensor de um presidente que insiste em não aprender com os próprios erros - que são muitos - alguns explosivos e que em algum momento vão impactar na economia - com mais descontrole das contas públicas, mais inflação, mais desvalorização da moeda e penalização dos mais pobres.
Mas você, leitor, pode erroneamente dizer que o apoio de Arthur, que teve pouco mais de 170 mil votos em 2 de outubro, tem pouca relevância. Não é verdade. Arthur ainda é um nome de peso. Tem história.Tudo o que muitos não têm e que ele precisa preservar como seu tesouro pessoal.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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