No debate deste domingo na Band, os polos se inverteram. Lula falou para a classe média - criação de universidades, escolas técnicas. Bolsonaro mirou os pobres - Auxílio Brasil, salário de professores. Lula fez uma aposta errada: a de que destruiria um adversário que havia passado as últimas 24 horas sob bombardeio por causa de vídeo no qual falava de um “clima” com meninas venezuelanas, que o ex-presidente estranhamente não explorou como se esperava.
Era o calcanhar de Aquiles de Bolsonaro, ainda exposto. Nem mesmo a decisão do ministro do TSE, Alexandre de Moraes, que considerou sua publicação fake ou fora de contexto, impedia Lula de utilizá-la como a “bala de prata” para desconstruir o discurso de moralidade do adversário.
Lula não falou com os telespectadores. Gritou com eles, em contraste com um tom cínico e “sereno” de Bolsonaro.
Enquanto Lula sibilava ferozmente, irritado e emparedado ao ser acusado de corrupção e de destruir a Petrobras, Bolsonaro se revelava frio, calculista, surpreendentemente gelado e ameaçador, pedindo que os eleitores não permitissem que o adversário voltasse ao “local do crime”.
Sim, o debate foi horrível, mas Lula perdeu.
A Band diz que dois milhões de pessoas assistiram ao debate pela TV e nos seus canais no YouTube. É possível que “a bala de prata” que Lula prometeu usar horas antes do debate, tenha sido de alguma forma usada por Bolsonaro… Mais uma vez, polos invertidos, expectativas frustradas…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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