Os cerca de 800 mil votos obtidos pelo senador Eduardo Braga neste segundo turno não indicam um político em final de carreira, após disputar três eleições majoritárias e perder. Pelo contrário. Braga demonstrou que tem capital político e que será ainda por muito tempo um nome a ser considerado e temido em futuras eleições. Não admitir que a disputa para o governo neste segundo turno foi difícil - Braga chegou a 43 por cento dos votos - é reduzir a vitória do governador Wilson Lima a um mero capricho do destino.
Braga ficou a 200 mil votos de Wilson Lima, num eleitorado que foi as urnas maciçamente. Foram 1,8 milhão de votos válidos, outros 200 mil ficaram no limbo entre nulos (157,8 mil) e 72.831 ( em branco).
Eduardo veio forte do interior - reduto onde venceu de virada a eleição para o Senado há quatro anos e ficou muito perto de mudar o jogo eleitoral, não fosse sua rejeição em Manaus, onde o governador Wilson Lima obteve vitória folgada.
Se Wilson ganhou a segunda chance de mostrar um governo onde ele assume as broncas e dá resposta à sociedade, é preciso mexer em seu novo governo, promover uma reforma administrativa que privilegie a experiência, a ética, o compromisso de governar de fato para a sociedade e não para grupos de interesse.
Ninguém tem o direito neste segundo mandato, de cobrar a sua parte numa vitória que é exclusivamente mérito do governador.
Quanto a Braga, essa derrota deixa muitas lições. A primeira delas é de que continua competitivo e que ainda pode sonhar com êxitos em futuras disputas. A segunda, é esta: não pode perder, como perdeu neste pleito, a oportunidade de seguir ao lado de quem sabe construir as bases de uma campanha.
Não é todo dia que surge um mago disposto a esquadrinhar o presente e mostrar o futuro, em rituais que colocam os sonhos no campo da realidade. Hoje Braga poderia estar vendo um sonho realizado. Não está, por culpa exclusivamente dele.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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