O silêncio do presidente Jair Bolsonaro contrasta com o comportamento de candidatos derrotados para o governo dos Estados. Bolsonaro não teve a grandeza de telefonar para Lula, reconhecendo a vitória do adversário. Como o Brasil está dividido - o resultado das urnas mostraram claramente essa divisão - o silêncio do presidente parece mais aquele momento de tensão que precede a um terremoto. Há uma atividade sísmica em andamento e seus primeiros sinais vem dos caminhoneiros, que ameaçam uma paralisação.
Aqui no Amazonas foi diferente. O candidato derrotado, Eduardo Braga, utilizou uma rede social para parabenizar o governador Wilson Lima, reeleito no pleito de domingo. Foi um gesto civilizado, que poucos notaram.
O silêncio do presidente não ajuda a diluir o clima de tensão dos últimos meses, mas se explica pelo passivo que deixa e que terá consequências legais no futuro.
“Por Deus que está no céu, eu nunca serei preso”, disse Bolsonaro no 7 de setembro do ano passado. É este o problema. O presidente sabe o que fez, como fez e que não encontrará amigos nos tribunais. E talvez, mesmo as ruas ainda barulhentas com seus seguidores, repitam o mesmo silêncio que ele adota agora. Provavelmente se sentirá só. Irremediavelmente só.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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