Todo mundo no Brasil fala em defesa da democracia - mesmo a extrema direita, que conspirou abertamente contra o processo eleitoral, o atual governo e as instituições. É uma confusão danada.
Ninguém sabe “quem é mais democrata que o outro”, pelo fato de os exemplos de lado a lado serem ruins e revelarem, por si mesmos, que estamos mais perto de uma ditadura consentida, em nome de “um estado de necessidade”, do qual são avalistas o Poder Executivo e o Poder Legislativo - este último, omisso, sem interferir no processo juristocrático estabelecido no Brasil.
Ontem, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, elogiou a postura”rigorosa do Ministro do STF, Alexandre de Moraes, em resposta aos ataques criminosos de 8 de janeiro”.
De fato, Moraes foi importante naquele momento, mas medidas contra golpes, rebeliões ou terrorismo devem partir de ações de Estado, onde o Poder Executivo atua com seus órgãos auxiliares - inteligência, polícia - e o Poder Legislativo formula leis que preencham lacunas legais eventualmente existentes para inibir o golpismo. O Judiciário julga as demandas dai advindas.
Mas está ocorrendo exatamente o oposto: o Judiciário está determinando as investigações, está expedindo ordens de prisão e está julgando. Precisa admitir que há um “estado de necessidade” ante a impotência do Executivo e do Legislativo, e que está governando ou permitindo que outros governem mediante suas regras.
Portanto, democracia no Brasil é ainda uma ideia, um projeto a ser consolidado.
As instituições funcionam? Nem tanto. O Judiciário funciona fora dos eixos, o Executivo ainda procura se estruturar e o Legislativo é mero expectador de um cenário do qual ele, por dever legal, deveria ser o principal ator.
Pior, os riscos de desmoronarem certos direitos - como o da livre manifestação de pensamento e opinião são grandes. Há interferência do Judiciário até mesmo na imprensa tradicional e no sigilo da fonte assegurado constitucionalmente aos jornalistas.
Os tempos são difíceis e a democracia é ainda uma doce palavra na boca das autoridades brasileiras.
O tempo mostrará os caminhos traçados para o País. Por enquanto falta diálogo, falta verdade e falta democracia no Brasil.
Saiba Mais:
Moraes abre investigação contra Marcos do Val e notifica Globo e CNN
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso