Em uma região com poucas alternativas econômicas compatíveis com suas restrições ambientais e logísticas, a conservação remunerada passou a ser vista como uma forma de transformar a proteção da floresta em atividade lícita.
Nesse contexto, o mercado de créditos de carbono surge como um dos instrumentos possíveis para atrair recursos, dar valor econômico à preservação e reduzir a dependência exclusiva de transferências estatais.
Os impasses que hoje cercam parte desses projetos não decorrem da ideia em si, mas da forma como ela foi aplicada.
A ausência prolongada de regras claras, consultas realizadas de modo apressado e pouca transparência na repartição dos recursos enfraqueceram a confiança das comunidades e abriram espaço para conflitos. Trata-se de falhas de governança, não de uma prova de que a política seja inviável.
O risco, agora, é confundir correção com negação. Tratar o mercado de carbono como um problema em si tende a gerar insegurança jurídica, afastar investimentos responsáveis e paralisar uma das poucas iniciativas econômicas compatíveis com a realidade amazônica, sem oferecer alternativa concreta às populações locais.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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