A gente procura uma notícia boa e não encontra. A posse do novo governo em 1o de janeiro seria sinal de um novo tempo, mas as propostas feitas até aqui por alguns membros da equipe de transição mexem não apenas com a economia - e mexem mal. Também escancaram o jeitinho montado para os amigos que delinquiram e que pedem compensações pelas perdas sofridas com a Operação Lava-Jato.
O PT está colocando sobre a mesa a proposta de socorrer as empresas que fizeram acordo de leniência. A reengenharia para tornar essas empresas aptas a receber empréstimos do poder público, é fazer com que os bilhões de reais que elas se comprometeram a devolver à União, por desvios admitidos, sejam investidos (por elas mesmas) em obras públicas.
Ora, se a Novonor (ex- Odebrecht), Andrade Gutierrez, Camargo Correa e a UTC já alegam não dispor de recursos para cumprir os acordos firmados com o Ministério Público e com a Controladoria Geral da União, como vão investir na construção de creches e estradas, por exemplo, como propõem integrantes do futuro governo?
Não são empresas beneméritas. Querem sair do buraco, ganhar dinheiro. Investir em infraestrutura exige “capital pesado”, entre outras coisas para contratação de pessoal. De onde vai sair o dinheiro?
Na prática, a repactuação que integrantes do novo governo Lula propõem é um perdão inaceitável, camuflado por “compromissos” que essas construtoras não poderão honrar. Em contrapartida, terão abertos os cofres do BNDES, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. É rezar para que, caso a proposta vingue, os saques sejam saques republicanos…
A proposta de repactuação dos acordos de leniência, nos moldes com que membros do futuro governo estão propondo, é imoral, porque os desvios ocorreram nos dois governos Lula. Desvios apurados e confessados por executivos encarregados de entregar propina para petistas e aliados.
Essa a questão que torna a proposta indecente. Mesmo para os padrões atuais de “passa o pano e esquece”, que vêm sendo adotados desde a desmontagem da Lava-Jato, é que Lula comandava o governo então acusado de permitir que as coisas corressem frouxas, que as empreiteiras tivessem seu departamento de suborno. Será que tudo vai voltar a ser como antes ?
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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