O animal predador persegue suas presas, as captura e come. Já o político predador se aproxima de seus rivais, os conquista para depois cortar suas pernas e braços. Geralmente tem uma personalidade forte e seu ataque acontece de forma inesperada. Foi assim em 2012, quando o prefeito Arthur Neto tirou Hissa Abrahão da disputa da prefeitura de Manaus, convencendo "o jovem Hissa" a ser seu vice. Foi assim em 2016, quando percebeu o crescimento de Marcos Rotta e, numa aliança surpreendente com o senador Eduardo Braga, conseguiu transformar o potencial adversário em aliado. Rotta ainda não teve as pernas cortadas, mas tem que ter cuidado...
GENTE ESTRANHA
Manaus é uma cidade estranha, com reações estranhas. Por exemplo: o protesto de moradores de áreas de risco depois das últimas chuvas não faz sentido, não da forma violenta como vem sendo feito. Primeiro porque ocuparam áreas de barranco, segundo porque sabiam os riscos que corriam e terceiro porque não levaram em conta a força da natureza e o preço que ela cobra pela retirada da cobertura vegetal original, ocupada pelos casebres.
MUDANÇA DE ATITUDE
A prisão não é uma solução para a maioria dos crimes que a justiça convencionou chamar de não violentos ou sem emprego de violência. Por isso os juízes amazonenses começam a adotar com mais frequência as penas alternativas. Pode ser uma solução para evitar a superlotação dos presídios, mas expõe os acusados a outro tipo de violência: o da sociedade ou daqueles que se acham no direito e fazer justiça com as próprias mãos.
GENTE RUIM NAS RUAS
Cerca de 4 mil presos poderão ganhar a liberdade ou cumprir pena em casa, depois de concluida a avaliação do trabalho da força-tarefa que analisou entre fevereiro e 2 de março 5,2 mil processos de presos em Manaus.
O CASO DO ÍNDIO E O JABUTI
O problema é que o sistema prisional não funciona, não regenera, não reabilita e foi transformado numa indústria do crime. E há fatos que ilustram o lado perverso da justiça: um índio estava preso há dois anos na unidade do Puraquequara por manter um jabuti no quintal de casa.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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