O prefeito de Manaus, Arthur Neto, defende que a posse do governador eleito em segundo turno ocorra dez dias após o pleito, para interromper a sangria dos cofres públicos. A preocupação do prefeito faz sentido: nas últimas semanas foram empenhados mais de R$ 2 bilhões, parte desses recursos gastos em desapropriações. ( CLIQUE AQUI e leia o que disse o prefeito).
O que o deputado que está na interinidade do governo não tem é limites. E surpreende a timidez dos órgãos de controle.
Ao antecipar a posse do futuro governador, como quer Arthur, o TRE estará antes de tudo premiando o eleitor e a escolha que fará nesta eleição.
PODER DOS PREFEITOS
Em tempos de crise, a eleição deste domingo será uma prova de fogo para os prefeitos do interior do Estado medirem sua força política. O PMDB, de Eduardo Braga, detém 22 prefeituras, mas nem todos os gestores apoiam o candidato.
PROS SE DIVIDE
Dos 13 prefeitos pertencentes ao Pros, a maioria marcha com Amazonino Mendes cujo partido (PDT) controla três municípios. Ele conta ainda com a força do PSDB e do PSD, detentores, respectivamente, de cinco e quatro prefeituras no interior.
ESTADO NO VERMELHO
Seja qual for o resultado da batalha eleitoral deste domingo, e da batalha de um provável segundo turno, o novo governante do Amazonas terá que se virar para tirar as contas do Estado do vermelho. O déficit primário é da ordem de R$ 480 milhões no primeiro semestre deste ano.
O que a história do rei Davi tem a ver com a de David Almeida
A história do rei Davi é uma das histórias mais famosas da Bíblia. Era ainda um jovem pastor de ovelhas quando foi ungido. Tocava harpa para o rei Saul em sua sala onde acabou conhecendo os bastidores do poder. Viu a queda de Saul e o sucedeu. Ninguém imaginava que ele chegaria a ser rei. Deus teria visto em Davi um coração puro e bom no começo. No começo. Pois o restante do reinado de Davi ficou marcado por intrigas, traições, mentiras e planos ardilosos (como o que levou um de seus soldados fiéis para morrer, tentando esconder seu adultério). Davi quis erguer o templo mais suntuoso já existente. Ele queria deixar seu nome marcado por algo bom. Mas Deus disse não. Davi não poderia erguer o templo pois em suas mãos havia muito sangue. Ou seja, seus pecados eram muitos. E ficou para seu sucessor a honra de erguer o templo que sequer levaria seu nome: o grande templo de Salomão. (A história consta no livro de I Crônicas).
David Almeida, governador interino do Amazonas conhece essa história e talvez veja nela um pouco de si. Era motorista do hoje senador Eduardo Braga, onde conheceu tudo sobre os bastidores. Foi ‘ungido’ deputado. Viu Eduardo cair na eleição em que estava ao lado de Melo. Se tornou presidente da Aleam. Viu Melo cair e se tornou o sucessor de quem sempre jurou fidelidade. Assumiu o governo e a exemplo do Davi da Bíblia foi se deixando encantar pelo poder.
Iniciaram as intrigas, os planos ardilosos e…, tentando se redimir dos pecados cometidos, decidiu construir uma candidatura. Seu sonho de ser dono do poder será dado pelo povo ao seu sucessor. Não será ele que concluirá esse mandato. Dançou.
Seus ‘pecados’ como no caso da Suhab, mancharam todas as expectativas que existiam sobre o jovem David, que pelo andar da carruagem mostra que não aprendeu nada com a história de seu xará bíblico. A ele resta somente buscar o perdão de Deus. Este talvez seja o único perdão que receberá.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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