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Cunha nega repasse de Funaro para comprar votos pelo impeachment de Dilma

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BRASÍLIA - O ex-presidente da Câmara (PMDB-RJ) negou ter recebido R$ 1 milhão do delator para comprar votos a favor do da ex-presidente Em abril de 2016, a Câmara, então presidida por Cunha, adversário de Dilma, autorizou a abertura do processo de impeachment que levaria depois o Senado a afastá-la do cargo. O relato de que houve pagamentos foi feito por Funaro em um dos depoimentos de sua delação.

— É ridícula a afirmação dele de que pedi dinheiro para o impeachment. Cadê a mensagem de que eu paguei? Nessa data do impeachment tinha seis meses que não o encontrava — disse Cunha nesta segunda-feira em depoimento na 10ª Vara Federal de Brasília.

Apontado como operador de políticos do PMDB em esquemas de corrupção, Funaro contou que repassou R$ 1 milhão para que Cunha comprasse votos de deputados. Segundo ele, Cunha queria assegurar o afastamento de Dilma. O plenário da Câmara autorizou a instauração do processo de impeachment em 17 de abril de 2016, com o voto favorável de 367 deputados, entre eles o próprio Cunha, adversário de Dilma. Era necessário o apoio de pelo menos 342 dos 513 que compõem a Câmara. Em maio, o Senado confirmou a decisão, afastando Dilma inicialmente por 180 dias, até a conclusão do processo.

Cunha presta depoimento na ação na qual é réu por suspeitas de irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF). Além dele e de Funaro, são réus: o ex-ministro e ex-presidente da Câmara Henrique Alves, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, e o empresário Alexandre Margotto. Cunha, Alves e Funaro estão presos. Cleto e Margotto, assim como Funaro, também firmaram acordos de delação.

Relato de compra de votos no processo do impeachment já tinha aparecido em outra delação, a do empresário Joesley Batista. Mas, nesse caso, teria sido para o lado contrário. Joesley disse que negociou o pagamento de R$ 15 milhões para serem distribuídos a cinco deputados. Em troca do dinheiro, eles votariam contra o impeachment de Dilma no plenário da Câmara.

— Quando foi aprovar no plenário, ele (Cunha) achava que já tava ganho, mas ele queria garantir de qualquer jeito que ela seria afastada esses 180 dias — contou Funaro em sua delação, relatando que Cunha lhe mandou uma mensagem por meio de um aplicativo de celular:

— Ele me pergunta se eu tinha disponibilidade de dinheiro, que ele pudesse ter algum recurso disponível pra comprar algum voto ali favorável ao impeachment da Dilma. E eu falei que ele podia contar com até R$ 1 milhão e que eu liquidaria isso pra ele em duas semanas, no máximo.

Questionado na delação se Cunha tinha dito expressamente que o dinheiro seria usado para comprar votos, Funaro confirmou:

— Comprar votos. Exatamente.

Indagado no depoimento de delação se Cunha mencionou quem seriam esses deputados, Funaro deu apenas um nome: Aníbal Gomes (PMDB-CE). Ele, no entanto, faltou à votação. Como eram necessários pelo menos 342 votos para dar continuidade ao impeachment, qualquer ausência contava a favor de Dilma.

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